Questão G02 da 2ª fase da FUVEST 2019

2º dia · Geografia

Observe a tabela:

Brasil: área plantada com os 5 principais grãos da produção nacional (em mil hectares)

Produto 2006/2007 2011/2012 2016/2017 2021/2022* 2026/2027*
Arroz 2.967 2.427 1.981 1.517 1.006
Feijão 4.088 3.262 3.180 2.662 2.142
Milho 14.055 15.178 17.592 17.061 17.580
Soja 20.687 25.042 33.909 39.180 44.101
Trigo 1.852 1.895 1.916 2.088 2.202

*projeção

Brasil. MAPA. Projeções do Agronegócio: 2017/18 a 2027/28. 2018. Adaptado.

a) Descreva a situação atual e a tendência futura da área plantada de grãos no Brasil.

b) Há uma correlação entre a atual configuração da produção agrícola e a estrutura fundiária brasileira? Justifique sua resposta.

c) Considerando os dados da tabela e os vetores de expansão do cultivo de soja no território brasileiro na última década, aponte duas possíveis consequências deste processo, sendo uma ambiental e outra social.

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Resolução comentada

a) Some as áreas de cada coluna para ver o quadro geral.

  1. 2006/2007: 2.967+4.088+14.055+20.687+1.852 = 43.649 mil ha.
  2. 2016/2017: 1.981+3.180+17.592+33.909+1.916 = 58.578 mil ha.
  3. 2026/2027 (projeção): 1.006+2.142+17.580+44.101+2.202 = 67.031 mil ha.

A área total plantada com esses cinco grãos cresce de forma contínua, e a projeção é de que continue crescendo. Esse aumento vem da soja, que passa de 20,7 para 44,1 milhões de ha, e do milho, que também aumenta. Já o arroz e o feijão, base da dieta do brasileiro, perdem área em todos os períodos. O trigo tem alta pequena. Ou seja, a tendência é de expansão da área plantada e de concentração em commodities de exportação (soja e milho, este também usado em ração e etanol).

Há crescimento da área total, puxado por soja e milho, e queda de arroz e feijão.

b) Sim. As culturas que mais crescem, como a soja, são commodities voltadas à exportação e exigem grandes extensões de terra, mecanização, insumos e capital. Por isso se organizam em latifúndios monocultores do agronegócio, que dominam as terras agrícolas, sobretudo no Centro-Oeste e no Matopiba. A estrutura fundiária brasileira, historicamente concentrada, favorece esse modelo. Já o arroz e o feijão, que perdem área, são produzidos em proporção maior por pequenas e médias propriedades e pela agricultura familiar, que têm menos acesso a crédito, tecnologia e terras, e menor competitividade diante da soja. A configuração da produção agrícola, portanto, reflete e reforça a concentração fundiária.

Sim: a produção em larga escala de commodities se apoia nos grandes latifúndios, enquanto os alimentos básicos, ligados à agricultura familiar, perdem espaço.

c) A soja avançou na última década sobre o Cerrado, o Matopiba e áreas de transição com a Amazônia, como o norte do Mato Grosso e o sul do Pará. A tabela mostra um crescimento de mais de 18 milhões de ha entre 2006 e 2026, o que indica grande conversão de áreas de vegetação nativa e de pastagens.

  • Consequência ambiental: desmatamento do Cerrado e da Amazônia, com perda de biodiversidade, contaminação por agrotóxicos, assoreamento, comprometimento de recursos hídricos e aumento das emissões de gases de efeito estufa.
  • Consequência social: conflitos por terra e expulsão de comunidades tradicionais, indígenas e pequenos agricultores, com concentração fundiária, êxodo rural e redução da produção de alimentos básicos (arroz e feijão), o que pressiona os preços.

Ambiental: desmatamento e perda de biodiversidade no Cerrado e na Amazônia. Social: conflitos fundiários e expulsão de populações tradicionais e camponesas.

Assuntos: agropecuária brasileira, estrutura fundiária, expansão da soja.

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