Questão H01 da 2ª fase da FUVEST 2016
PRODUÇÃO DE OURO NO BRASIL – 1700-1799 (EM QUILOGRAMAS)
| Períodos | Minas Gerais | Goiás | Mato Grosso | Total |
|---|---|---|---|---|
| 1700-1705 | 1.470 | - | - | 1.470 |
| 1706-1710 | 4.410 | - | - | 4.410 |
| 1711-1715 | 6.500 | - | - | 6.500 |
| 1716-1720 | 6.500 | - | - | 6.500 |
| 1721-1725 | 7.000 | - | 600 | 7.600 |
| 1726-1729 | 7.500 | - | 1.000 | 8.500 |
| 1730-1734 | 7.500 | 1.000 | 500 | 9.000 |
| 1735-1739 | 10.637 | 2.000 | 1.500 | 14.137 |
| 1740-1744 | 10.047 | 3.000 | 1.100 | 14.147 |
| 1745-1749 | 9.712 | 4.000 | 1.100 | 14.812 |
| 1750-1754 | 8.780 | 5.880 | 1.100 | 15.760 |
| 1755-1759 | 8.016 | 3.500 | 1.100 | 12.616 |
| 1760-1764 | 7.399 | 2.500 | 600 | 10.499 |
| 1765-1769 | 6.659 | 2.500 | 600 | 9.759 |
| 1770-1774 | 6.179 | 2.000 | 600 | 8.779 |
| 1775-1779 | 5.518 | 2.000 | 600 | 8.118 |
| 1780-1784 | 4.884 | 1.000 | 400 | 6.284 |
| 1785-1789 | 3.511 | 1.000 | 400 | 4.911 |
| 1790-1794 | 3.360 | 750 | 400 | 4.510 |
| 1795-1799 | 3.249 | 750 | 400 | 4.399 |
Virgílio Noya Pinto, O ouro brasileiro e o comércio anglo-português. Adaptado.
a) Utilize a coluna “Períodos” e outras duas à sua escolha, e elabore um gráfico representando, de modo aproximado e simultâneo, os dados da tabela.
b) Relacione os números apresentados nas duas colunas escolhidas com outros aspectos da economia colonial do Brasil do século XVIII.
Reportar erro na questão
Resolução comentada
a) Escolhi as colunas "Minas Gerais" e "Total". Para montar o gráfico, faça assim:
- No eixo horizontal (x), marque os períodos de 1700-1705 até 1795-1799, em ordem cronológica.
- No eixo vertical (y), marque a produção em kg, de 0 a 16.000, em intervalos de 2.000.
- Trace duas linhas, uma para Minas Gerais e outra para o Total, identificadas por cores ou legenda.
Pontos de referência para o desenho aproximado:
- Minas Gerais: sobe de 1.470 kg (1700-1705) para 6.500 (1711-1720), chega ao pico de 10.637 (1735-1739), cai para cerca de 8.000 (1755-1759) e termina em 3.249 (1795-1799).
- Total: sobe de 1.470 para 6.500 (1711-1720), dá um salto para 14.137 (1735-1739), atinge o máximo de 15.760 (1750-1754) e cai até 4.399 (1795-1799).
As duas linhas começam coincidentes, porque só havia produção em Minas. Depois se afastam, pois Goiás e Mato Grosso passam a contribuir. O Total passa a ter pico posterior ao de Minas, pelo auge de Goiás (5.880 kg em 1750-1754). Ambas as curvas formam um "morro": crescimento rápido, auge e declínio longo. Também serve um gráfico de barras agrupadas ou de áreas empilhadas.
Gráfico: linhas de Minas Gerais e do Total ao longo dos períodos, com pico em 1735-1739 (Minas) e 1750-1754 (Total).
b) O gráfico mostra o ciclo do ouro: a descoberta nas Minas (fins do século XVII), a corrida do ouro e o auge por volta de 1735-1754, seguido da decadência a partir de 1760, com o esgotamento das jazidas de aluvião, de exploração fácil.
Esse movimento se liga a outros aspectos da economia colonial:
- Deslocamento do eixo econômico do Nordeste açucareiro para o Centro-Sul, com crescimento da pecuária, do abastecimento (tropeirismo) e do comércio interno. Em 1763 a capital passou de Salvador para o Rio de Janeiro, porto de escoamento do ouro.
- Urbanização e mercado interno, com vilas mineradoras como Vila Rica, e crescimento do tráfico de escravos africanos.
- Controle metropolitano: quinto, casas de fundição, derrama e capitação. A queda da produção tornou impossível cobrar as 100 arrobas anuais (cerca de 1.500 kg) e gerou tensão, como a Inconfidência Mineira (1789).
- Relação com a Inglaterra: o Tratado de Methuen (1703) fez o ouro brasileiro financiar o déficit comercial português com os ingleses.
- Após o declínio, houve diversificação (algodão, arroz, açúcar e a crise do Pacto Colonial), quando a economia retomou a agricultura.
O pico da produção (1735-1754) e o declínio posterior explicam o deslocamento do eixo econômico para o Centro-Sul, a pressão fiscal portuguesa, o enriquecimento inglês e a retomada agrícola.
Assuntos: ciclo do ouro, economia colonial, leitura de tabelas e gráficos.
Reportar erro na resolução
Ver como caiu na prova