Questão G05 da 2ª fase da FUVEST 2016
De acordo com o IBGE, domicílio com Segurança Alimentar é aquele em que seus moradores relatam, principalmente, não ter havido falta de alimentos em quantidade e qualidade suficientes nos três meses anteriores à coleta de dados.

a) Como se deu, em 2013, a distribuição regional da Segurança Alimentar no país? Considere, em sua análise, a situação do domicílio (urbano e rural).
b) Indique as regiões com a maior e com a menor Segurança Alimentar na zona rural, em 2013. Explique as razões que justificam essa diferença na condição de Segurança Alimentar, tendo em vista a estrutura e ocupação agrária de cada uma delas.
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Resolução comentada
a) Os dados mostram dois blocos regionais. Sudeste, Sul e Centro-Oeste têm os índices mais altos, de 79% a 86%, tanto no meio urbano (85,7%, 85,2% e 82,2%) quanto no rural (83,5%, 84,7% e 79,1%). Norte e Nordeste ficam bem abaixo: no meio urbano chegam a cerca de 66% (65,6% e 66,0%) e, no rural, a 58,6% e 49,9%.
Em todas as regiões, a segurança alimentar é maior nos domicílios urbanos do que nos rurais. A diferença é pequena no Sul (0,5 ponto) e no Sudeste (2,2 pontos), e grande no Nordeste (16,1 pontos) e no Norte (7 pontos). Ou seja, há uma desigualdade regional (Centro-Sul x Norte/Nordeste) e, dentro das regiões mais pobres, uma desigualdade campo-cidade mais acentuada.
Segurança alimentar maior no Centro-Sul que no Norte e Nordeste, e maior no meio urbano que no rural em todas as regiões, com a maior distância campo-cidade no Nordeste.
b) A maior segurança alimentar rural está no Sul (84,7%) e a menor no Nordeste (49,9%).
No Sul, predominam a pequena e média propriedade familiar, de colonização por imigrantes, com policultura (grãos, leite, aves, suínos). Essas propriedades são integradas a cooperativas e agroindústrias, têm crédito, assistência técnica e mercado, o que garante produção para o consumo da família e renda para comprar alimentos.
No Nordeste, a estrutura agrária é muito concentrada, herança do latifúndio canavieiro e pecuarista. Há muitos minifúndios, parceiros, posseiros e trabalhadores sem terra ou com terra pouca e de baixa qualidade. Soma-se a isso o semiárido, com secas frequentes, pouco acesso a crédito, água e tecnologia. Resultam produção insuficiente, renda baixa e insegurança alimentar.
Maior: Sul (84,7%), com estrutura baseada em pequenas propriedades familiares; menor: Nordeste (49,9%), com concentração fundiária, minifúndios e semiárido.
Assuntos: estrutura agrária brasileira, segurança alimentar, desigualdades regionais.
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