Questão G04 da 2ª fase da FUVEST 2016

3º dia · Geografia

A exemplo de anos anteriores, 2015 foi marcado por cheias do rio Negro, ocorrendo inundações em municípios do estado do Amazonas. Observe, no gráfico abaixo, dados de três cheias ocorridas no Porto de Manaus, em anos recentes. Observe também o mapa da bacia hidrográfica amazônica.

Gráfico das cheias no Rio Negro em Manaus (AM) comparando os anos de 2009, 2012 e 2013 com o limite indicador de "cota de alerta" para cheia (2900 cm), acompanhado de mapa da bacia hidrográfica amazônica destacando a localização de Manaus e dos rios Negro, Solimões e Amazonas.

Boletim nº 5. Serviço Geológico do Brasil (CPRM/ANA), 2014. Adaptado.

a) Com base nos dados acima e em seus conhecimentos, explique qual é a possível relação das cheias do rio Negro com seu regime de alimentação e sua proximidade com o equador.

b) Considerando a localização de Manaus na bacia hidrográfica amazônica, explique por que essa cidade sofre periodicamente débitos fluviais excessivos.

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Resolução comentada

a) O rio Negro tem regime de alimentação pluvial: seu volume depende quase só da chuva, sem degelo. Ele nasce e corre perto do equador (0°), onde a umidade e as chuvas são abundantes e há pouca variação térmica ao longo do ano. Mas o rio Negro corre no hemisfério Norte (acima do equador), e sua bacia tem o período chuvoso deslocado em relação à porção sul da Amazônia.

O gráfico mostra o efeito disso: em 2009, 2012 e 2013 o nível sobe de janeiro até o pico entre maio e julho e depois cai, chegando ao mínimo em novembro e dezembro. Nos três anos o nível ultrapassa a cota de alerta (2900 cm) por volta de maio a julho, com picos de cerca de 3000 cm em 2012 e de 2950 a 2980 cm em 2009 e 2013. A cheia é, portanto, sazonal e previsível, ligada ao ciclo das chuvas equatoriais, que são intensas e concentradas em parte do ano. O volume que chega ao rio ocorre com atraso em relação às chuvas, porque a água leva tempo para escoar pela imensa bacia.

Resposta: o regime pluvial e a localização equatorial (muita chuva) produzem cheias anuais, que ultrapassam a cota de alerta entre maio e julho.

b) Manaus fica no baixo curso do rio Negro, perto da confluência com o Solimões, onde começa o rio Amazonas. Ela está, portanto, a jusante de uma enorme área de drenagem: recebe a água do Negro e sofre o efeito do alto volume do Solimões, que é um rio imenso e recebe águas dos Andes e de afluentes do sul.

Quando as chuvas fortes ocorrem nas cabeceiras e nos afluentes, o volume se acumula e chega junto a Manaus. Além disso, o relevo é muito plano, de baixa declividade, o que torna o escoamento lento. A água demora a escoar, e o Solimões, ao represar a foz do Negro, eleva o nível. Resultado: vazões (débitos) excessivas e cheias periódicas.

Resposta: Manaus está a jusante de uma imensa bacia, na confluência do Negro com o Solimões, em relevo plano; isso acumula grandes volumes de água e causa cheias periódicas.

Assuntos: bacia hidrográfica amazônica, regime fluvial, clima equatorial.

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