Questão 6 (1º dia) da 2ª fase da FUVEST 2014
Leia o seguinte trecho de uma reportagem, para em seguida atender ao que se pede:
Cantoria de sabiá-laranjeira na madrugada divide ouvidos paulistanos
Diz uma antiga lenda indígena que, durante as madrugadas, no início da primavera, quando uma criança ouve o canto de um sabiá-laranjeira, ela é abençoada com amor, felicidade e paz. Isso lá na floresta. Na selva urbana, a história é outra: tem gente se revirando na cama com a sinfonia que chega a durar duas horas seguidas antes mesmo de clarear o dia.
“Morei 35 anos no interior paulista e nunca fui acordada por passarinho algum”, conta uma moradora do Brooklin (zona sul). “Agora, em plena São Paulo barulhenta e caótica, minhas madrugadas têm sido bem diferentes”.
Folha de S. Paulo, 16/09/2013. Adaptado.
a) Tendo em vista o contexto, é possível concluir, de modo irrefutável, que a citada moradora do Brooklin faz parte dos paulistanos que não apreciam o canto do sabiá-laranjeira? Justifique com base no texto.
b) Reescreva os trechos do texto que se encontram em discurso direto, empregando o discurso indireto e fazendo as modificações necessárias.
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Resolução comentada
a) Não. O título diz que o canto "divide ouvidos paulistanos", ou seja, há quem goste e quem não goste. Na fala da moradora não aparece nenhum juízo de valor sobre o canto. Ela apenas contrasta duas situações: no interior, em 35 anos, nunca foi acordada por passarinho algum; agora, em São Paulo, suas madrugadas "têm sido bem diferentes". A expressão "bem diferentes" é neutra e pode indicar incômodo, mas também surpresa ou até encanto. O verbo "acordada" sugere interrupção do sono, mas isso não prova que ela rejeite o canto, pois alguém pode ser acordado e ainda assim apreciar o que ouve. Além disso, a lenda indígena citada no início associa o canto a bênçãos. Portanto, o texto não permite concluir de modo irrefutável que ela desaprove o canto. Resposta: não, pois o texto não traz nenhuma avaliação explícita dela sobre o canto; a fala só marca a diferença entre o interior e a capital.
b) Há dois trechos em discurso direto, ambos falas da moradora. Para passar ao discurso indireto, é preciso introduzir um verbo de dizer, usar a conjunção "que", passar a 1ª pessoa para a 3ª, e ajustar tempos verbais e advérbios ("agora" vira "naquele momento" ou "então"; "têm sido" vira "tinham sido"; "fui" vira "tinha sido").
- "Morei 35 anos no interior paulista e nunca fui acordada por passarinho algum" → A moradora do Brooklin contou que tinha morado 35 anos no interior paulista e que nunca tinha sido acordada por passarinho algum.
- "Agora, em plena São Paulo barulhenta e caótica, minhas madrugadas têm sido bem diferentes" → Ela acrescentou que, então, em plena São Paulo barulhenta e caótica, as madrugadas dela tinham sido bem diferentes.
Resposta: A moradora do Brooklin contou que tinha morado 35 anos no interior paulista e nunca tinha sido acordada por passarinho algum; acrescentou que, então, em plena São Paulo barulhenta e caótica, as madrugadas dela tinham sido bem diferentes.
Assuntos: discurso direto e indireto, interpretação de texto.
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