PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão G05 da 2ª fase da FUVEST 2008

2ª fase · Geografia · Geografia: Agronegócio e agropecuária brasileira

A distribuição espacial dos frigoríficos de carne bovina no Brasil obedece a lógicas distintas. Por exemplo, algumas empresas distribuem seus frigoríficos por diferentes estados, em função de problemas sanitários.

No entanto, é possível observar a existência de algumas importantes concentrações espaciais, a exemplo das destacadas no mapa com os números 1 e 2.

Mapa intitulado “LOCALIZAÇÃO DOS FRIGORÍFICOS DE CARNE BOVINA NO BRASIL (2007)”, com os limites dos estados brasileiros e pontos pretos indicando a localização dos frigoríficos. Os pontos estão distribuídos principalmente pelo Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com ocorrências também no Norte. Duas concentrações estão contornadas e identificadas pelos números 1 e 2: a primeira na região entre o sul de Mato Grosso do Sul e o oeste de São Paulo; a segunda no Rio Grande do Sul. Uma linha horizontal indica a latitude 0°. No canto inferior direito há uma escala gráfica de 540 km. Abaixo do mapa consta: “Fonte: Adaptado de DBO - A Revista de Negócios da Pecuária. Setembro, 2007.”

Nesse sentido, explique a concentração de frigoríficos

a) na área 1, citando, ao menos, duas características geográficas dessa área.

b) na área 2, considerando, ao menos, um aspecto físico-natural e um histórico-geográfico dessa área.

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Resolução comentada

a) A área 1 vai do sul de Mato Grosso do Sul ao oeste paulista, passando pelo Triângulo Mineiro e pelo sul de Goiás. Duas características geográficas explicam a concentração de frigoríficos ali:

  • Grande rebanho bovino e pecuária consolidada. A região tem pastagens extensas, relevo de planaltos e chapadões, pouco acidentado, e tradição na criação e na engorda do gado. Isso garante matéria-prima abundante e próxima dos abatedouros.
  • Infraestrutura e proximidade do mercado consumidor. A área tem malha rodoviária e ferroviária densa, energia e armazenagem. Fica perto da região metropolitana de São Paulo, o maior mercado consumidor, e dos portos exportadores, como Santos. Isso reduz o custo de transporte da carne, produto perecível.

Há ainda o controle sanitário: a área é livre de febre aftosa com vacinação, o que facilita a exportação.

Resposta: os frigoríficos se concentram na área 1 pelo grande rebanho em pastagens de relevo suave e pela infraestrutura de transportes próxima do mercado paulista e dos portos.

b) A área 2 é a metade sul do Rio Grande do Sul, a Campanha gaúcha.

  • Aspecto físico-natural: o relevo é de coxilhas, suave e ondulado, com clima subtropical úmido e vegetação de campos (pampa). Os campos são pastagens naturais, ideais para a pecuária extensiva de corte.
  • Aspecto histórico-geográfico: a pecuária começou ali no período colonial, nas estâncias e nas antigas reduções jesuíticas, que deixaram o gado solto nos campos. Depois vieram o charque e as charqueadas (Pelotas), a formação da grande propriedade pastoril e uma cultura do gaúcho ligada ao gado. Essa tradição criou um rebanho numeroso e a base industrial de beneficiamento da carne.

A proximidade do porto de Rio Grande e dos mercados do Mercosul, como Uruguai e Argentina, reforça a localização.

Resposta: a concentração na área 2 vem dos campos naturais do pampa, que favorecem a pecuária extensiva, e da tradição pastoril histórica, com estâncias e charqueadas desde o período colonial.

Assuntos: Agronegócio e agropecuária brasileira, Regionalização e desigualdades regionais.

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