Questão 34 do ENEM 2016

1º dia · Ciências Humanas

A linhagem dos primeiros críticos ambientais brasileiros não praticou o elogio laudatório da beleza e da grandeza do meio natural brasileiro. O meio natural foi elogiado por sua riqueza e potencial econômico, sendo sua destruição interpretada como um signo de atraso, ignorância e falta de cuidado.

PÁDUA, J. A. Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista (1786-1888). Rio de Janeiro: Zahar, 2002 (adaptado).

Descrevendo a posição dos críticos ambientais brasileiros dos séculos XVIII e XIX, o autor demonstra que, via de regra, eles viam o meio natural como

  1. A
    ferramenta essencial para o avanço da nação.
  2. B
    dádiva divina para o desenvolvimento industrial.
  3. C
    paisagem privilegiada para a valorização fundiária.
  4. D
    limitação topográfica para a promoção da urbanização.
  5. E
    obstáculo climático para o estabelecimento da civilização.
Resolução comentada

O texto diz que os primeiros críticos ambientais do Brasil não faziam um elogio apenas estético ("laudatório da beleza e da grandeza") da natureza. Eles a valorizavam pela riqueza e pelo potencial econômico. Por isso, viam a destruição do meio natural como sinal de atraso, ignorância e descuido, ou seja, como algo contrário ao progresso do país.

Portanto, para esses autores, a natureza era um recurso a ser bem aproveitado e preservado, condição para o desenvolvimento econômico e para o avanço da nação. Destruí-la de forma descuidada era desperdiçar esse potencial.

Confronte com as alternativas:

  1. O texto liga natureza a riqueza e potencial econômico: isso corresponde a um instrumento para o progresso nacional.
  2. Nada no trecho fala de religião, indústria, valorização de terras, urbanização ou clima adverso.
  3. Como a natureza é vista de forma positiva (riqueza), ideias de "limitação" ou "obstáculo" contradizem o texto.

A ideia central está na alternativa que associa o meio natural ao avanço da nação.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BIntroduz a ideia de dádiva divina e de desenvolvimento industrial, que o texto não menciona.
  • CFala em valorização fundiária, tema ausente do trecho, que trata de riqueza e potencial econômico em geral.
  • DVê a natureza como limitação à urbanização, o oposto da visão positiva descrita.
  • ETrata o clima como obstáculo à civilização, o que contradiz o elogio à riqueza natural.

Assuntos: pensamento ambiental brasileiro, interpretação de texto, Brasil império.

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