Questão 35 do ENEM 2016

1º dia · Ciências Humanas

O coronelismo era fruto de alteração na relação de forças entre os proprietários rurais e o governo, e significava o fortalecimento do poder do Estado antes que o predomínio do coronel. Nessa concepção, o coronelismo é, então, um sistema político nacional, com base em barganhas entre o governo e os coronéis. O coronel tem o controle dos cargos públicos, desde o delegado de polícia até a professora primária. O coronel hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de voto.

CARVALHO, J. M. Pontos e bordados: escritos de história política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998 (adaptado).

No contexto da Primeira República no Brasil, as relações políticas descritas baseavam-se na

  1. A
    coação das milícias locais.
  2. B
    estagnação da dinâmica urbana.
  3. C
    valorização do proselitismo partidário.
  4. D
    disseminação de práticas clientelistas.
  5. E
    centralização de decisões administrativas.
Resolução comentada

O texto de José Murilo de Carvalho define o coronelismo como um sistema de barganhas entre o governo (sobretudo estadual) e os coronéis, e não como simples mandonismo local.

As etapas do raciocínio:

  1. O coronel "hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de voto". Ele entrega votos, que eram controlados pelo voto de cabresto.
  2. Em troca, o coronel "tem o controle dos cargos públicos, desde o delegado de polícia até a professora primária". Ele indica aliados e distribui empregos e favores.
  3. Essa troca de apoio político por benefícios pessoais, cargos e favores é o que se chama de clientelismo.

Portanto, a relação descrita se apoiava na disseminação de práticas clientelistas. Na Primeira República, esse mecanismo sustentava a política dos governadores e o domínio das oligarquias.

As demais alternativas não descrevem a troca de favores por votos que o texto apresenta.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AA coação por milícias ou jagunços existiu, mas o texto trata de barganha entre governo e coronéis, não de violência.
  • BO texto não fala da dinâmica urbana; o coronelismo se ligava ao poder rural, sem tratar de estagnação das cidades.
  • CNão havia valorização do proselitismo partidário; o voto era controlado pelo coronel e negociado, não conquistado por convencimento ideológico.
  • EO texto fala em troca de apoio entre governo e coronéis, que controlam cargos locais; não há centralização das decisões administrativas.

Assuntos: coronelismo, primeira república, clientelismo.

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