PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 3 do ENEM 2008

Prova · Geografia: Desmatamento e queimadas

Calcula-se que 78% do desmatamento na Amazônia tenha sido motivado pela pecuária — cerca de 35% do rebanho nacional está na região — e que pelo menos 50 milhões de hectares de pastos são pouco produtivos. Enquanto o custo médio para aumentar a produtividade de 1 hectare de pastagem é de 2 mil reais, o custo para derrubar igual área de floresta é estimado em 800 reais, o que estimula novos desmatamentos. Adicionalmente, madeireiras retiram as árvores de valor comercial que foram abatidas para a criação de pastagens. Os pecuaristas sabem que problemas ambientais como esses podem provocar restrições à pecuária nessas áreas, a exemplo do que ocorreu em 2006 com o plantio da soja, o qual, posteriormente, foi proibido em áreas de floresta.

Época, 3/3/2008 e 9/6/2008 (com adaptações).

A partir da situação-problema descrita, conclui-se que

  1. A
    o desmatamento na Amazônia decorre principalmente da exploração ilegal de árvores de valor comercial.
  2. B
    um dos problemas que os pecuaristas vêm enfrentando na Amazônia é a proibição do plantio de soja.
  3. C
    a mobilização de máquinas e de força humana torna o desmatamento mais caro que o aumento da produtividade de pastagens.
  4. D
    o superavit comercial decorrente da exportação de carne produzida na Amazônia compensa a possível degradação ambiental.
  5. E
    a recuperação de áreas desmatadas e o aumento de produtividade das pastagens podem contribuir para a redução do desmatamento na Amazônia.
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

O texto mostra a lógica econômica por trás do desmatamento: 78% dele vem da pecuária, e há pelo menos 50 milhões de hectares de pasto pouco produtivo. Como derrubar 1 hectare de floresta custa R$ 800 e aumentar a produtividade de 1 hectare de pasto custa R$ 2.000, é mais barato abrir área nova do que melhorar a que já existe. Isso "estimula novos desmatamentos".

Daí se conclui que, se o pasto já aberto fosse recuperado e se tornasse mais produtivo, a pecuária não precisaria avançar sobre a floresta, e o desmatamento diminuiria.

Conferindo as alternativas:

  1. O texto atribui o desmatamento principalmente à pecuária (78%). A venda de madeira é apenas um fator "adicional".
  2. A proibição da soja em área de floresta foi citada como exemplo do que pode ocorrer com a pecuária. Não é um problema atual do pecuarista.
  3. Os números mostram o contrário: desmatar (R$ 800) é mais barato que aumentar a produtividade (R$ 2.000).
  4. O texto não fala de superávit comercial nem de exportação de carne.
  5. Recuperar áreas e elevar a produtividade das pastagens reduz a necessidade de abrir novas áreas, o que bate com o raciocínio acima.

Alternativa E.

Pegadinha: A alternativa C engana quem não compara os custos: o desmatamento (R$ 800) é mais barato que melhorar o pasto (R$ 2.000), e a C diz o oposto.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto aponta a pecuária (78%) como principal causa; a retirada de madeira é fator adicional.
  • BA proibição da soja em floresta é só um exemplo de restrição que a pecuária pode vir a sofrer, não um problema atual dos pecuaristas.
  • CInverte os custos: derrubar custa R$ 800 por hectare e elevar a produtividade custa R$ 2.000.
  • DO texto não trata de superávit nem de exportação de carne, e não afirma que o lucro compensa o dano ambiental.

Assuntos: Desmatamento e queimadas, Agronegócio e agropecuária brasileira.

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