PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 28 do ENEM 2007
Textos para as questões 27 e 28 · Amarela
O canto do guerreiro
Aqui na floresta
Dos ventos batida,
Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
— Ouvi-me, Guerreiros,
— Ouvi meu cantar.
Valente na guerra,
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me;
— Quem há, como eu sou?
Gonçalves Dias.
Macunaíma
(Epílogo)
Acabou-se a história e morreu a vitória.
Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um em um. Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos misteriosos, tudo era solidão do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do Herói?
Mário de Andrade.
Considerando-se a linguagem desses dois textos, verifica-se que
- Aa função da linguagem centrada no receptor está ausente tanto no primeiro quanto no segundo texto.
- Ba linguagem utilizada no primeiro texto é coloquial, enquanto, no segundo, predomina a linguagem formal.
- Chá, em cada um dos textos, a utilização de pelo menos uma palavra de origem indígena.
- Da função da linguagem, no primeiro texto, centra-se na forma de organização da linguagem e, no segundo, no relato de informações reais.
- Ea função da linguagem centrada na primeira pessoa, predominante no segundo texto, está ausente no primeiro.
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Resolução comentada
A questão pede para comparar a linguagem de dois textos: um poema indianista de Gonçalves Dias e o epílogo de Macunaíma, de Mário de Andrade. Vamos testar cada afirmação contra os trechos.
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Função conativa (centrada no receptor): no poema, o guerreiro se dirige aos ouvintes com "Ouvi-me, Guerreiros" e "Ouvi meu cantar", o que é apelo ao receptor. No segundo texto, a pergunta final "Quem podia saber do Herói?" também envolve o leitor. Mas a afirmação (A) diz que a função está ausente nos dois, o que é falso.
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Registro: o poema tem vocabulário culto e construção poética. O trecho de Mário de Andrade traz oralidade e expressões populares, como "tangolomângolo" e "pançudos". Logo, (B) inverte a situação e está errada.
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Palavras de origem indígena: no poema aparece "tacape", palavra tupi que designa a arma do guerreiro. No texto de Mário de Andrade aparece "Uraricoera", nome de rio de origem indígena. Cada texto tem, portanto, ao menos uma palavra indígena. (C) está certa.
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Conferindo as demais: o primeiro texto não se centra na organização da linguagem (função metalinguística ou poética), e o segundo não é um relato de informações reais, pois é ficção. (D) está errada. O poema é todo em primeira pessoa ("como eu sou", "meu cantar"), enquanto o segundo texto é narrado em terceira pessoa. Assim, (E) também está errada.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AOs dois textos apelam ao receptor: o poema com "Ouvi-me, Guerreiros" e o segundo com a pergunta final ao leitor, então a função conativa não está ausente.
- BInverte os registros: o poema tem linguagem culta e poética, e o trecho de Mário de Andrade traz oralidade e coloquialismo.
- DO primeiro texto não se centra na própria linguagem, e o segundo é ficção, não relato de fatos reais.
- EA primeira pessoa predomina no poema ("eu sou", "meu cantar"), não no segundo texto, que tem narrador em terceira pessoa.
Assunto: Funções da linguagem e elementos da comunicação.
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