PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 27 do ENEM 2007
Textos para as questões 27 e 28 · Amarela
O canto do guerreiro
Aqui na floresta
Dos ventos batida,
Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
— Ouvi-me, Guerreiros,
— Ouvi meu cantar.
Valente na guerra,
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me;
— Quem há, como eu sou?
Gonçalves Dias.
Macunaíma
(Epílogo)
Acabou-se a história e morreu a vitória.
Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um em um. Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos misteriosos, tudo era solidão do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do Herói?
Mário de Andrade.
A leitura comparativa dos dois textos acima indica que
- Aambos têm como tema a figura do indígena brasileiro apresentada de forma realista e heróica, como símbolo máximo do nacionalismo romântico.
- Ba abordagem da temática adotada no texto escrito em versos é discriminatória em relação aos povos indígenas do Brasil.
- Cas perguntas “— Quem há, como eu sou?” (1.o texto) e “Quem podia saber do Herói?” (2.o texto) expressam diferentes visões da realidade indígena brasileira.
- Do texto romântico, assim como o modernista, aborda o extermínio dos povos indígenas como resultado do processo de colonização no Brasil.
- Eos versos em primeira pessoa revelam que os indígenas podiam expressar-se poeticamente, mas foram silenciados pela colonização, como demonstra a presença do narrador, no segundo texto.
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Resolução comentada
Os dois textos tratam do indígena, mas de modos opostos, e a questão pede que você compare a visão de cada um.
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Gonçalves Dias (Romantismo): o guerreiro fala em primeira pessoa e se exalta. A pergunta "Quem há, como eu sou?" é retórica, e a resposta implícita é "ninguém". Ela afirma a valentia, a força e o orgulho do herói idealizado, típico do nacionalismo romântico.
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Mário de Andrade (Modernismo): o epílogo de Macunaíma mostra a tribo dizimada, a solidão e o silêncio. A pergunta "Quem podia saber do Herói?" também é retórica, e a resposta é "ninguém": o herói foi esquecido e sua cultura desapareceu. Trata-se de uma visão desencantada, sem idealização.
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Comparação: a primeira pergunta celebra a grandeza do indígena, e a segunda lamenta o apagamento dele. São visões diferentes da realidade indígena, o que confere com a alternativa C.
Conferindo as demais: o texto romântico não é realista, pois idealiza o índio, e não trata de extermínio (A e D). Ele também não discrimina o indígena, ao contrário, o exalta (B). E o segundo texto não coloca o narrador como símbolo de silenciamento imposto pela colonização (E).
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO texto romântico idealiza o índio e o de Mário de Andrade não o apresenta como símbolo do nacionalismo romântico; nenhum é realista e heróico nesse sentido.
- BOs versos de Gonçalves Dias exaltam o guerreiro indígena, não o discriminam.
- DSó o texto modernista trata do desaparecimento da tribo; o romântico não aborda extermínio.
- EAtribui ao segundo texto um silenciamento pela colonização que não está no trecho, e a presença do narrador não demonstra isso.
Assuntos: Intertextualidade e paródia, Romantismo: características e poesia romântica, Modernismo: Semana de 22 e primeira geração.
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