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Questão 12 do ENEM 2003

Prova · Literatura: Romance de 30: regionalismo e romance social

A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. E era um acontecimento para a meninada. (...) andava léguas e léguas a pé, de engenho a engenho, como uma edição viva das histórias de Mil e Uma Noites (...) era uma grande artista para dramatizar. Tinha uma memória de prodígio. Recitava contos inteiros em versos, intercalando pedaços de prosa, como notas explicativas. (...) Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações. O que fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela punha nos seus descritivos. (...) Os rios e as florestas por onde andavam os seus personagens se pareciam muito com o Paraíba e a Mata do Rolo. O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco.

(José Lins do Rego. Menino de engenho)

A cor local que a personagem velha Totonha colocava em suas histórias é ilustrada, pelo autor, na seguinte passagem:

  1. A
    “O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco”.
  2. B
    “Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações”.
  3. C
    “Era uma grande artista para dramatizar. Tinha uma memória de prodígio”.
  4. D
    “Andava léguas e léguas a pé, como uma edição viva das Mil e Uma Noites”.
  5. E
    “Recitava contos inteiros em versos, intercalando pedaços de prosa, como notas explicativas”.
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Resolução comentada

"Cor local" é o conjunto de elementos próprios de uma região (paisagem, costumes, tipos sociais) que o narrador insere numa história para aproximá-la do ambiente de quem a ouve. Aqui, Totonha conta histórias tradicionais, de origem europeia ou oriental, e as adapta à realidade nordestina.

O próprio texto diz isso logo antes dos exemplos: "o que fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela punha nos seus descritivos". Depois vêm duas ilustrações:

  1. Rios e florestas dos contos "se pareciam muito com o Paraíba e a Mata do Rolo", que são lugares reais da região.
  2. "O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco": um personagem de conto europeu ganha a identidade de um tipo social típico do Nordeste açucareiro.

Portanto, a passagem que mostra a cor local em ação é a do Barba-Azul transformado em senhor de engenho pernambucano.

As outras alternativas falam de outros aspectos: elementos fixos dos contos (rei, rainha, forca), qualidades da contadora (memória, dramatização), o modo de narrar (verso e prosa) e a comparação com Mil e Uma Noites. Nenhuma delas trata da adaptação ao ambiente regional.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BRei, rainha, forca e adivinhações são elementos comuns dos contos tradicionais, não adaptação ao local.
  • CDescreve o talento da narradora (dramatização e memória), sem relação com ambientação regional.
  • DCompara Totonha a uma edição viva de Mil e Uma Noites, o que remete a contos orientais, e não ao regional.
  • ETrata da forma da narrativa (versos com prosa), não do cenário ou dos personagens locais.

Assunto: Romance de 30: regionalismo e romance social.

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