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PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 30 do ENEM 2001

Prova · Filosofia: Contratualismo: Hobbes, Locke e Rousseau

I - Para o filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), o estado de natureza é um estado de guerra universal e perpétua. Contraposto ao estado de natureza, entendido como estado de guerra, o estado de paz é a sociedade civilizada.

Dentre outras tendências que dialogam com as idéias de Hobbes, destaca-se a definida pelo texto abaixo.

II - Nem todas as guerras são injustas e correlativamente, nem toda paz é justa, razão pela qual a guerra nem sempre é um desvalor, e a paz nem sempre um valor.

BOBBIO, N. MATTEUCCI, N PASQUINO, G. Dicionário de Política, 5ª ed. Brasília: Universidade de Brasília;
São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2000.

Comparando as idéias de Hobbes (texto I) com a tendência citada no texto II, pode-se afirmar que

  1. A
    em ambos, a guerra é entendida como inevitável e injusta.
  2. B
    para Hobbes, a paz é inerente à civilização e, segundo o texto II, ela não é um valor absoluto.
  3. C
    de acordo com Hobbes, a guerra é um valor absoluto e, segundo o texto II, a paz é sempre melhor que a guerra.
  4. D
    em ambos, a guerra ou a paz são boas quando o fim é justo.
  5. E
    para Hobbes, a paz liga-se à natureza e, de acordo com o texto II, à civilização.
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

Compare o que cada texto diz sobre guerra e paz.

  1. Texto I (Hobbes): o estado de natureza é o estado de guerra de todos contra todos. A paz só existe com a sociedade civilizada, isto é, com o Estado. Para Hobbes, portanto, a paz é própria da civilização, e a guerra é própria da natureza.

  2. Texto II: afirma que "nem todas as guerras são injustas" e que "nem toda paz é justa". Assim, a guerra nem sempre é um desvalor, e a paz nem sempre é um valor. A paz, portanto, não é um valor absoluto: depende de ser justa ou não.

  3. Conclusão da comparação: a primeira parte da alternativa B corresponde a Hobbes (paz ligada à civilização), e a segunda parte corresponde ao texto II (paz sem valor absoluto).

As demais alternativas falham em algum ponto:

  • O texto II não diz que toda guerra é injusta.
  • Hobbes não trata a guerra como valor.
  • O texto II não liga a paz à natureza, e Hobbes liga a guerra à natureza, não a paz.
  • Hobbes não avalia guerra ou paz pelo critério de um fim justo.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto II diz que nem toda guerra é injusta, então não a vê sempre como injusta; Hobbes também não faz juízo de justiça.
  • CHobbes não vê a guerra como valor absoluto, e o texto II nega que a paz seja sempre melhor que a guerra.
  • DO critério do fim justo aparece só no texto II; Hobbes opõe natureza (guerra) a civilização (paz), sem esse critério.
  • EInverte Hobbes: a guerra é que se liga ao estado de natureza, e a paz à civilização; o texto II não faz essa ligação.

Assunto: Contratualismo: Hobbes, Locke e Rousseau.

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