Questão 18 do ENEM PPL 2018
Não há dúvidas de que, nos últimos tempos, em função da velocidade, do volume e da variedade da geração de informações, questões referentes à disseminação, ao armazenamento e ao acesso de dados têm se tornado complexas, de modo a desafiar homens e máquinas. Por meio de sistemas financeiros, de transporte, de segurança e de comunicação interpessoal – representados pelos mais variados dispositivos, de cartões de crédito a trens, aviões, passaportes e telefones celulares –, circulam fluxos informacionais que carregam o DNA da vida cotidiana do indivíduo contemporâneo. Para além do referido cenário informacional contemporâneo, percebe-se, nos contextos governamentais, um esforço – gerado por leis e decretos, ou mesmo por pressões democráticas – em disseminar informações de interesse público. No Brasil, está em vigor, desde maio de 2012, a Lei de Acesso à Informação n. 12.527. Em linhas gerais, a legislação regulamenta o direito à informação, já garantido na Constituição Federal, obrigando órgãos públicos a divulgarem os seus dados.
SILVA JR., M. G. Vigiar, punir e viver. Minas faz Ciência, n. 58, 2014 (adaptado).
As Tecnologias de Informação e Comunicação propiciam à sociedade contemporânea o acesso à grande quantidade de dados públicos e privados. De acordo com o texto, essa nova realidade promove
- Aquestionamento sobre a privacidade.
- Bmecanismos de vigilância de pessoas.
- Cdisseminação de informações individuais.
- Dinterferência da legislação no uso dos dados.
- Etransparência na relação entre governo e cidadãos.
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Resolução comentada
O texto tem duas partes. Na primeira, fala do crescimento do volume, da velocidade e da variedade de informações, que circulam por cartões, trens, aviões, passaportes e celulares. Na segunda, introduzida por "Para além do referido cenário", trata do esforço dos governos, por leis e pressões democráticas, para divulgar informações de interesse público. O exemplo é a Lei de Acesso à Informação, que obriga órgãos públicos a divulgarem seus dados.
A pergunta é o que essa realidade de acesso a muitos dados promove, segundo o texto. Vale conferir cada alternativa contra o que está escrito:
- Privacidade e vigilância aparecem só no título e no tema geral do autor. O trecho não afirma que haja questionamento da privacidade nem mecanismos de vigilância.
- Os fluxos informacionais "carregam o DNA da vida cotidiana", mas o texto não diz que informações individuais sejam disseminadas. A disseminação citada é a de informações de interesse público.
- A lei regulamenta um direito já garantido na Constituição. Ela não interfere no uso dos dados pelas pessoas; ela obriga o poder público a divulgá-los.
- Obrigar órgãos públicos a abrir seus dados aos cidadãos é dar transparência à relação entre governo e sociedade. Isso está no texto.
Portanto, o que o texto sustenta é a transparência entre governo e cidadãos.
Alternativa E.
Pegadinha: A e B enganam quem lê o título do artigo ("Vigiar, punir e viver") e não o que o trecho diz de fato.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO texto não trata de questionamento da privacidade; essa ideia vem do título, não do trecho.
- BVigilância de pessoas não é mencionada no trecho, apenas inferida pelo título.
- CA disseminação citada é de informações de interesse público, não de dados individuais.
- DA lei obriga órgãos públicos a divulgar dados; não interfere no uso dos dados pelos cidadãos.
Assuntos: interpretação de texto, lei de acesso à informação.
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