Questão 17 do ENEM PPL 2018

1º dia · Linguagens, Códigos

E fui mostrar ao ilustre hóspede [o governador do Estado] a serraria, o descaroçador e o estábulo. Expliquei em resumo a prensa, o dínamo, as serras e o banheiro carrapaticida. De repente supus que a escola poderia trazer a benevolência do governador para certos favores que eu tencionava solicitar.

— Pois sim senhor. Quando V. Exa. vier aqui outra vez, encontrará essa gente aprendendo cartilha.

RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1991.

O fragmento do romance de Graciliano Ramos dialoga com o contexto da Primeira República no Brasil, ao focalizar o(a)

  1. A
    derrocada de práticas clientelistas.
  2. B
    declínio do antigo atraso socioeconômico.
  3. C
    liberalismo desapartado de favores do Estado.
  4. D
    fortalecimento de políticas públicas educacionais.
  5. E
    aliança entre a elite agrária e os dirigentes políticos.
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Resolução comentada

O narrador, Paulo Honório, é um fazendeiro que recebe o governador em sua propriedade (São Bernardo). Ele mostra a serraria, o descaroçador, a prensa e o estábulo, ou seja, exibe sua riqueza e sua modernização produtiva.

Em seguida, o texto diz que ele "supôs que a escola poderia trazer a benevolência do governador para certos favores" que pretendia solicitar. A escola, portanto, não nasce de uma preocupação com a educação do povo, mas serve de moeda de troca para obter vantagens do poder público.

Isso retrata a política da Primeira República (1889-1930): coronéis e grandes proprietários rurais trocavam apoio e benefícios com os governantes estaduais, no esquema da política dos governadores e do coronelismo. É uma relação de interesses mútuos entre elite agrária e dirigentes políticos.

Conferindo as alternativas:

  1. Não há fim do clientelismo: o texto o mostra em pleno funcionamento.
  2. A fazenda é moderna, mas o texto não fala em superação do atraso do país.
  3. Os "favores" pedidos ao Estado contradizem a ideia de liberalismo sem favores.
  4. A escola é só um pretexto pessoal, não uma política pública.
  5. A relação de favores entre fazendeiro e governador expressa essa aliança.

Alternativa E.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO trecho mostra o clientelismo em prática (troca de favores), não sua derrocada.
  • BA modernização da fazenda é individual; o texto não trata de superação do atraso socioeconômico.
  • CO fazendeiro busca justamente favores do Estado, o oposto de um liberalismo desvinculado deles.
  • DA escola é iniciativa particular usada como pretexto, não uma política pública do Estado.

Assuntos: primeira república, coronelismo, literatura e história.

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