Questão 114 do ENEM PPL 2015
Perder a tramontana
A expressão ideal para falar de desorientados e outras palavras de perder a cabeça
É perder o norte, desorientar-se. Ao pé da letra, “perder a tramontana” significa deixar de ver a estrela polar, em italiano stella tramontana, situada do outro lado dos montes, que guiava os marinheiros antigos em suas viagens desbravadoras.
Deixar de ver a tramontana era sinônimo de desorientação. Sim, porque, para eles, valia mais o céu estrelado que a terra. O Sul era região desconhecida, imprevista; já o Norte tinha como referência no firmamento um ponto luminoso conhecido como a estrela Polar, uma espécie de farol para os navegantes do Mediterrâneo, sobretudo os genoveses e os venezianos. Na linguagem deles, ela ficava transmontes, para além dos montes, os Alpes. Perdê-la de vista era perder a tramontana, perder o Norte.
No mundo de hoje, sujeito a tantas pressões, muita gente não resiste a elas e entra em parafuso. Além de perder as estribeiras, perde a tramontana...
COTRIM, M. Língua Portuguesa, n. 15, jan. 2007.
Nesse texto, o autor remonta às origens da expressão “perder a tramontana”. Ao tratar do significado dessa expressão, utilizando a função referencial da linguagem, o autor busca
- Aapresentar seus indícios subjetivos.
- Bconvencer o leitor a utilizá-la.
- Cexpor dados reais de seu emprego.
- Dexplorar sua dimensão estética.
- Ecriticar sua origem conceitual.
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Resolução comentada
A função referencial (ou denotativa) da linguagem é aquela centrada no contexto, isto é, no assunto de que se fala. Ela busca informar de modo objetivo, com dados, fatos e explicações, sem destacar as emoções do emissor nem o efeito estético das palavras.
No texto, o autor faz exatamente isso ao tratar de "perder a tramontana":
- Define o sentido da expressão: "É perder o norte, desorientar-se".
- Explica a origem: a estrela Polar, em italiano stella tramontana, situada além dos montes (os Alpes).
- Contextualiza o uso histórico: guiava os marinheiros genoveses e venezianos no Mediterrâneo.
- Relaciona esse uso ao sentido atual, de desorientação diante das pressões do mundo de hoje.
Tudo isso são informações objetivas sobre a expressão, seu significado e seu emprego. Portanto, o autor quer expor dados reais sobre o uso da expressão.
As demais alternativas remetem a outras funções: a subjetividade seria função emotiva, convencer o leitor seria função apelativa (conativa) e a dimensão estética seria função poética. Nenhuma delas aparece como objetivo central do trecho.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AIndícios subjetivos pertencem à função emotiva; o texto é objetivo e informativo.
- BConvencer o leitor a usar a expressão seria função apelativa, ausente no texto.
- DExplorar a dimensão estética seria função poética; o foco é informar.
- EO autor não critica a origem da expressão, apenas a explica.
Assuntos: funções da linguagem, função referencial.
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