Questão 25 do ENEM PPL 2013
Eu mesmo me apresento: sou Antônio:
sou Antônio Vicente Mendes Maciel
(provim da batalha de Deus versus demônio
Com a res publica marca de Caim).
Moisés, do Êxodo ao Deuteronômio,
Sou natural de Quixeramobim,
O Antônio Conselheiro deste chão
Que vai ser mar e o mar vai ser sertão.
ACCIOLY, M. Antônio Conselheiro. In: FERNANDES, R. (Org.). O clarim e a oração: cem anos de Os sertões. São Paulo: Geração Editorial, 2001.
O poema, escrito em 2001, contribui para a construção de uma determinada memória sobre o movimento de Canudos, ao retratar seu líder como
- Acrítico do regime político recém-proclamado.
- Bpartidário da abolição da escravidão.
- Ccontrário à distribuição da terra para os humildes.
- Ddefensor da autonomia política dos municípios.
- Eporta-voz do catolicismo ortodoxo romano.
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Resolução comentada
O poema é narrado em primeira pessoa por Antônio Conselheiro, que se apresenta com nome completo e naturalidade (Quixeramobim, no Ceará). O verso-chave é "provim da batalha de Deus versus demônio / Com a res publica marca de Caim".
Aqui há uma oposição entre dois lados:
- De um lado está "Deus", ligado ao sentido religioso do movimento de Canudos.
- Do outro está o "demônio", associado à res publica, isto é, à República, chamada de "marca de Caim". Caim, na Bíblia, é o primeiro assassino e o símbolo do fratricídio.
Assim, o poema lembra Conselheiro como alguém que enxergava a República, proclamada em 1889, como algo pecaminoso e violento. Historicamente isso confere: ele pregava contra a República, a separação entre Igreja e Estado, o casamento civil e os impostos cobrados pelo novo regime.
As outras alternativas não têm apoio no texto. Não há menção à abolição, à distribuição de terras nem a municípios. A ideia de catolicismo ortodoxo também não combina com um beato sertanejo em conflito com a hierarquia da Igreja.
Portanto, o líder é retratado como crítico do regime político recém-proclamado.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BO poema não fala de escravidão nem de abolição.
- CNada no texto trata de terra; historicamente Canudos acolhia os pobres e não era contrário a eles.
- DNão há referência a municípios ou autonomia política local.
- EConselheiro é um beato popular, em conflito com a Igreja oficial, e o poema não o apresenta como ortodoxo.
Assuntos: Canudos, República Velha, interpretação de poema.
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