Questão 106 do ENEM PPL 2013
Brasil é o maior desmatador, mostra estudo da ONU
O Brasil reduziu sua taxa de desmatamento em vinte anos, mas continua líder entre os países que mais desmatam, segundo a FAO (órgão da ONU para a agricultura).
A entidade apresentou ontem estudo sobre a cobertura florestal no mundo e o resultado é preocupante: em apenas dez anos, uma área de floresta do tamanho de dois estados de São Paulo desapareceu do país. De forma geral, a queda no ritmo da perda de cobertura florestal foi de 37% em dez anos. Entre 1990 e 1999, 16 milhões de hectares por ano sumiram. Entre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares.
Mas o número é considerado alto. A América do Sul é apontada como a maior responsável pela perda de florestas do mundo, com cortes anuais de 4 milhões de hectares. A África vem em seguida, com 3,4 milhões de hectares/ano.
O Estado de São Paulo, 26 mar. 2010.
Na notícia lida, o conectivo “mas” (terceiro parágrafo) estabelece uma relação de oposição entre as sentenças: “Entre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares” e “o número é considerado alto”. Uma das formas de se reescreverem esses enunciados, sem que lhes altere o sentido inicial, é:
- APorque, entre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares, o número é considerado alto.
- BEntre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares, por isso o número é considerado alto.
- CEntre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares, uma vez que o número é considerado alto.
- DEmbora, entre 2000 e 2009, esse número tenha caído para 13 milhões de hectares, o número é considerado alto.
- EVisto que, entre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares, o número é considerado alto.
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Resolução comentada
O "mas" é uma conjunção adversativa: ele liga duas ideias que se opõem. Aqui, a queda para 13 milhões de hectares poderia sugerir uma situação boa, mas o texto contraria essa expectativa: o número, mesmo menor, ainda é alto.
Para reescrever sem mudar o sentido, é preciso manter essa relação de oposição. Quem faz isso é a conjunção concessiva, como "embora", "apesar de que" e "ainda que". A concessiva admite um fato (a queda) que não impede a conclusão contrária (o número continua alto).
Os outros conectivos criam relações diferentes:
- "Porque" e "visto que" indicam causa: a queda seria a causa de o número ser alto, o que é ilógico.
- "Por isso" indica consequência: a queda teria como resultado o número ser alto, o que também é ilógico.
- "Uma vez que" indica causa ou explicação: o número ser alto explicaria a queda, o que inverte o sentido do texto.
A alternativa D usa "embora" com o verbo no subjuntivo ("tenha caído"), como pede essa conjunção, e mantém a oposição original.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- A"Porque" expressa causa, e a queda não é causa de o número ser alto.
- B"Por isso" expressa consequência, trocando a oposição por uma relação de causa e efeito ilógica.
- C"Uma vez que" indica causa e inverte a lógica, como se o número alto explicasse a queda.
- E"Visto que" expressa causa, eliminando a oposição entre as ideias.
Assuntos: conjunções, relações de sentido entre orações, oração concessiva.
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