PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 112 do ENEM PPL 2011
Nascido em 1935, José Francisco Borges ou J. Borges, como prefere ser chamado, é um dos mais expressivos artistas populares do Brasil. Considerado por Ariano Suassuna o maior gravador popular do país, o artista foi um dos ilustradores do calendário da ONU do ano de 2002. Autodidata, J. Borges publicou seu primeiro cordel em 1964, intitulado O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, seguido de O Verdadeiro Aviso de Frei Damião Sobre os Castigos que Vêm, cuja publicação deu início à sua carreira de gravador. Na década de 1970, artistas plásticos, intelectuais e marchands passaram a encomendar suas xilogravuras, o que levou as imagens a ganharem cada vez mais autonomia em relação ao cordel. Desde então, o itinerário do artista vem se fortalecendo pela transmissão dos conhecimentos da xilogravura às novas gerações de sua família, com quem mantém a Casa de Cultura Serra Negra, no sertão pernambucano.
Disponível em: http://msn.onne.com.br. Acesso em: 21 maio 2010.

BORGES, J. Iemanjá. Xilogravura.
A xilogravura é um meio de expressão de grande força artística e literária no Brasil, especialmente no Nordeste brasileiro, onde os artistas populares talham a madeira, transformando-a em verdadeiras obras de arte. Com total liberdade artística, hoje já conquistaram espaço entre os diversos setores culturais do país, retratando cenas
- Ado seu próprio universo, revelando personagens com aparência humilde em vestes requintadas.
- Bcom temas de personagens do folclore popular, crenças e futilidades dos mais necessitados.
- Cde conteúdo histórico e político do Nordeste brasileiro, com a intenção de valorizar as diferenças sociais.
- Ddas grandes cidades, com a preocupação de uma representação realista da figura humana nordestina.
- Ecom personagens fantasiosos, beatos e cangaceiros presentes nas crenças da população nordestina.
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Resolução comentada
O enunciado trata da xilogravura nordestina, técnica em que o artista entalha a madeira para imprimir a imagem. Ela nasceu ligada à literatura de cordel e ilustra o imaginário popular do sertão: lendas, santos, beatos, cangaceiros, seres míticos e crenças religiosas.
A imagem de J. Borges mostra isso bem. Ela traz Iemanjá, divindade das águas de matriz afro-brasileira, representada como sereia, ao lado de um sol com rosto humano. São figuras fantasiosas, saídas das crenças populares, e não cenas realistas ou documentais.
Agora, as alternativas:
- Vestes requintadas em personagens humildes não aparecem na gravura nem no texto.
- Chamar as crenças dos mais necessitados de "futilidades" é um juízo depreciativo que o texto não faz.
- Valorizar as diferenças sociais não é a intenção apontada; o texto fala de liberdade artística e de cultura.
- A xilogravura retrata o universo sertanejo, não as grandes cidades, e a figura de Iemanjá nada tem de realista.
- Personagens fantasiosos (sereias, sol humanizado), beatos e cangaceiros pertencem às crenças da população nordestina. Isso combina com o texto, que cita até um cordel sobre Frei Damião.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AInventa personagens humildes em vestes requintadas, algo que a imagem e o texto não mostram.
- BChama de "futilidades" as crenças populares, visão depreciativa que o texto não sustenta.
- CAtribui à xilogravura a intenção de valorizar diferenças sociais, o que não consta no texto.
- DFala de grandes cidades e representação realista, contrariando o universo sertanejo e fantasioso da obra.
Assunto: Cultura popular e patrimônio.
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