PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 72 da UNICAMP 2027
Em 1993, o filósofo argentino radicado do México, Enrique Dussel, publicou o livro 1492. O encobrimento do outro: a origem e o mito da modernidade. Conhecido por ser um dos principais expoentes da filosofia da libertação, Dussel explica da seguinte maneira o nascimento da modernidade:
“O ano de 1492, segundo nossa tese central, é a data do nascimento da Modernidade, embora sua gestação – como o feto – leve um tempo de crescimento intrauterino. A modernidade originou-se nas cidades europeias medievais, livres, centros de enorme criatividade. Mas nasceu quando a Europa pôde se confrontar com o seu Outro e controlá-lo, vencê-lo, violentá-lo, colonizá-lo: quando pôde se definir como um ego descobridor, conquistador, colonizador da Alteridade constitutiva da própria Modernidade. (...) A tarefa, portanto, é desenvolver uma filosofia do diálogo, como parte de uma filosofia da libertação do oprimido, do incomunicado, do excluído, do Outro.”
(DUSSEL, E. 1492. O encobrimento do outro: a origem e o mito da modernidade. Petrópolis: Editora Vozes, 1993, p. 8.)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que
- Ao ego moderno não se constitui apenas pelo Penso, logo existo, de Descartes, mas também pela conquista e colonização do Outro.
- Ba filosofia moderna é a filosofia do diálogo travado com o Outro, descoberto pelos europeus a partir da chegada de Cristovam Colombo nas Américas, em 1492.
- Ca modernidade, por definição contraditória, origina-se dos escombros da Idade Média e implica, ao mesmo tempo, progresso e retrocesso, conquista e violência.
- Da filosofia da libertação surge para colocar em diálogo europeus e colonizados e dirimir a violência da colonização promovida pelo ego descobridor.
Você já respondeu questões neste aparelho. Crie sua conta grátis para guardar o histórico e refazer as que errou.
Resposta salva no seu histórico.
Reportar erro na questão
Resolução comentada
Dussel defende que a modernidade nasce em 1492, quando a Europa se confronta com o Outro (os povos americanos) e o controla, vence, violenta e coloniza. Assim, o "ego" moderno europeu se define como "descobridor, conquistador, colonizador". Esse ego não é só o sujeito pensante cartesiano, mas um ego que se afirma pela dominação do Outro.
Agora, a análise das alternativas:
- A: está de acordo com o texto. O ego moderno ("Penso, logo existo") é complementado, em Dussel, pelo ego conquistador, ou seja, a conquista e a colonização do Outro fazem parte da constituição da modernidade.
- B: erra ao dizer que a filosofia moderna é a filosofia do diálogo. Para Dussel, o diálogo é a tarefa a ser construída pela filosofia da libertação, e não o que a modernidade fez; a modernidade violentou o Outro.
- C: o texto diz que a modernidade nasce das cidades medievais livres e criativas, e não de "escombros" da Idade Média. Também não fala em "progresso e retrocesso".
- D: a filosofia da libertação não pretende "dirimir" a violência colonial pelo diálogo entre europeus e colonizados; ela parte do oprimido e do excluído, e não de uma conciliação entre as partes.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BAtribui à filosofia moderna o diálogo com o Outro, quando para Dussel o diálogo é tarefa futura da filosofia da libertação e a modernidade foi de violência e controle.
- CDiz que a modernidade surge dos escombros da Idade Média e fala em progresso e retrocesso, mas o texto a origina nas cidades medievais livres e criativas e não menciona essa dualidade.
- DReduz a filosofia da libertação a um diálogo conciliatório entre europeus e colonizados, quando ela parte do oprimido e do excluído.
Assunto: Pensamento africano, indígena e decolonial.
Reportar erro na resolução
Ver como caiu na prova
Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2027. Prova oficial ↗