PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 61 da UNICAMP 2027
Leia a transcrição da apresentação ao vivo de um spoken word poem, da artista Ruth Elora.
An Ode to Africa
I am the daughter
of a continent who’s carried the cross of the world on its back. (...)
Gold stripped from her rivers,
names erased from her maps.
Bones buried beneath railroads and sugarcane fields. (...)
Yet she breathes
she births
she dances with dust in her ankles and fire in her lungs.
A continent crowned by salt and sun. (...)
Africa
the womb of the world,
the cradle of civilization. (...)
I carry her in my marrow. (...)
I am her memory. (...)
She’s carried the cross of the world but has not worn its crown.
So I wear it for her.
Not gold but grace.
Not jewels but justice.
A crown that cannot be taken. It pulses in my blood. (...) I wear the
crown for those who burned. For those who bled, for those who
built
and were buried.
And still
we rise
crowned
in the name
of the motherland
(Apresentação de Ruth Elora no “Tell’em Festival” em Rotterdam. Vídeo publicado no canal “The Mayfair Poet” do YouTube. Transcrição adaptada de https://www.youtube.com/watch?v=GTRCN2T-UxA. Acesso em 08/05/2026.)
No poema, a autora recorre
- Aà metáfora da coroa para se referir ao sofrimento infringido às pessoas no continente africano.
- Bao emprego de verbos no presente simples para se referir à persistência e à opressão das violências coloniais no continente africano.
- Cà personificação da África para representar um corpo que perdeu suas raízes africanas.
- Da alternâncias entre verbos que, no passado e particípio, representam traumas, e verbos que, no presente simples, demonstram a resistência.
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Resolução comentada
Vale observar como a autora organiza os tempos verbais e as imagens do poema.
A parte que fala da violência histórica usa particípios passados, que descrevem o que foi feito à África: stripped ("Gold stripped from her rivers"), erased ("names erased"), buried ("Bones buried"). Há também o passado em burned, bled, built, were buried. São os traumas da exploração, da escravidão e da colonização.
Depois vem a virada, marcada por Yet ("Contudo"): she breathes, she births, she dances, I carry, I wear, we rise. São verbos no presente simples, que mostram a continuidade e a resistência da África e de seu povo.
Analisando as alternativas:
- A: a coroa não representa sofrimento. A autora a associa a grace e justice, a dignidade e a resistência.
- B: o presente simples expressa a persistência da vida e da resistência, não a opressão, que aparece no passado.
- C: a África é personificada ("womb", "her marrow"), mas ela não perdeu suas raízes. A autora diz "I carry her in my marrow" e "I am her memory".
- D: descreve corretamente a alternância entre passado e particípio (traumas) e presente simples (resistência).
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Aa coroa simboliza dignidade, graça e justiça, não o sofrimento; este aparece nas imagens de ouro roubado e ossos enterrados.
- Bo presente simples marca a vida e a resistência (breathes, births, rise), e a opressão está no passado e nos particípios.
- Ca personificação existe, mas o corpo não perdeu as raízes: a autora afirma carregá-las na medula e ser a memória da África.
Assunto: Tempos verbais e verbos modais.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2027. Prova oficial ↗