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Questão 39 da UNICAMP 2027

1ª fase · Sociologia: Democracia racial, movimento negro e ações afirmativas

Texto 1

Brasil, população residente por cor/raça, 1872-2022 (%).

Gráfico de linhas representando a população residente por cor/raça no Brasil entre 1872 e 2022, em porcentagem (0,0 a 80,0). Há três linhas: 'pardos' (pontilhada), 'brancos' (tracejada) e 'pretos' (contínua). A curva de brancos sobe de cerca de 40% em 1872 até mais de 60% por volta de 1940, decrescendo a partir de então até cerca de 45% em 2022. A curva de pardos declina de aproximadamente 40% em 1872 para cerca de 20% em 1940, subindo continuamente até cerca de 45% em 2022. A curva de pretos inicia em 20% em 1872, cai para cerca de 5% em 1990 e tem leve elevação até 2022.

(Dados primários: IBGE, Censos Demográficos. Adaptado de GUIMARÃES, A. S. A. Raça e cor no Brasil contemporâneo, oportunismo político e tendência histórica. Revista de Antropologia, n.67, p. 4, 2024.)

Texto 2

Nos últimos 150 anos, o Brasil passou por mudanças demográficas importantes em relação à composição racial de sua população. Esse fenômeno não pode ser explicado somente pelo crescimento vegetativo diferencial entre os grupos raciais, nem pelas mudanças na questão censitária que mede cor/raça, ou pelo uso da hetero ou autoclassificação. Para explicar tais mudanças durante esse longo período, alterações nas ideologias raciais brasileiras – embranquecimento, mestiçagem, negritude – parecem mais importantes que os incentivos materiais criados nos últimos vinte anos pelas políticas públicas de combate às desigualdades raciais. Tais ideologias nacionais conviveram e ainda convivem entre si, incapazes de suplantar umas às outras.

(Adaptado de GUIMARÃES, A. S. A. Raça e cor no Brasil contemporâneo, oportunismo político e tendência histórica. Revista de Antropologia, n. 67, p. 16, 2024.)

De acordo com os textos, a mudança na composição racial no Brasil, ao longo dos anos, pode ser explicada majoritariamente

  1. A
    pela intervenção do Estado, que produz as ideologias raciais hegemônicas de cada período histórico e atua nos processos de embranquecimento, mestiçagem e negritude.
  2. B
    por disputas de classificações, abarcadas nas diferentes ideologias raciais brasileiras, com impacto na produção de políticas públicas e na forma como os indivíduos se percebem.
  3. C
    pela ação racional com relação a fins de indivíduos interessados em se classificar como brancos, pretos ou pardos, a depender dos benefícios sociais que tal posição racial produz.
  4. D
    pelos limites do instrumento e da metodologia de coleta de informações raciais que, ao longo dos últimos 150 anos, foram aprimorados e se tornaram mais precisos.
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Resolução comentada

O Texto 2 afirma que a mudança na composição racial brasileira não se explica só pelo crescimento vegetativo diferencial, nem pelas mudanças no censo ou pelo tipo de classificação (hetero ou autoclassificação). Também diz que as ideologias raciais (embranquecimento, mestiçagem, negritude) pesam mais do que os incentivos materiais das políticas públicas recentes.

O gráfico confirma uma mudança de longo prazo: os brancos sobem de cerca de 40% (1872) para mais de 60% (1940) e depois caem; os pardos fazem o caminho inverso, caindo até 1940 e subindo depois. Essa inversão acompanha a passagem do ideal de embranquecimento para a valorização da mestiçagem e da negritude.

Avaliando as alternativas:

  1. O Estado como produtor das ideologias não aparece no texto, que fala de ideologias que convivem sem que uma suplante a outra.
  2. As disputas de classificação dentro das ideologias raciais mudam a forma como as pessoas se percebem e se classificam, e se ligam também às políticas públicas. Isso combina com o texto.
  3. A escolha racional por benefícios é justamente a explicação que o autor põe em segundo plano, pois os incentivos materiais pesam menos.
  4. Os limites do instrumento censitário foram descartados como explicação principal.

A explicação central é, portanto, a mudança das ideologias raciais e do modo como as pessoas se classificam.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AAtribui ao Estado a produção das ideologias raciais, o que o texto não afirma; ele diz que as ideologias convivem sem se suplantar.
  • CPõe os benefícios sociais como causa principal, mas o texto diz que as ideologias pesam mais que os incentivos materiais.
  • DExplica a mudança por limites e aprimoramento da metodologia censitária, o que o texto rejeita como causa principal.

Assunto: Democracia racial, movimento negro e ações afirmativas.

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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2027. Prova oficial ↗