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Questão 50 da UNICAMP 2017

1ª fase · História: Mulheres e relações de gênero

A dona de casa entre as classes populares urbanas é uma personagem maior e majoritária. A dona de casa não tem muitas papas na língua. Muitas vezes é uma rebelde, tanto na vida privada quanto na vida pública. E não raro paga um alto preço por isso, como alvo principal de violências que podem chegar ao crime “passional”.

(Adaptado de Michelle Perrot, “Figuras e papéis”, em Philippe Ariès (org.), História da vida privada. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. v. 4, p. 146.)

A mulher das classes populares nas sociedades urbanas do século XIX na Europa

  1. A
    tinha múltiplas funções, como educar os filhos, cuidar da casa e administrar as finanças, mas vivia restrita ao espaço doméstico e por isso sua rebeldia era punida com violência.
  2. B
    era responsável pelo trabalho doméstico e muitas vezes tinha uma jornada dupla, pelo trabalho externo que realizava em fábricas, pequenos comércios e outros serviços.
  3. C
    sofreu estigma e violência por revolucionar os costumes e liderar o movimento de conquista do voto feminino.
  4. D
    contrariava o senso comum de ser cordata e obediente, pois sua condição social indicava que não tinha referencial de uma boa educação.
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Resolução comentada

O texto de Perrot fala da dona de casa das classes populares urbanas: ela é figura "maior e majoritária", tem "pouca papa na língua", é rebelde na vida privada e na pública e, por isso, sofre violência. Ou seja, ela atua também no espaço público, não ficando confinada ao lar.

No século XIX, nas cidades europeias industrializadas, as mulheres pobres não podiam se limitar ao lar: o salário do marido não bastava. Elas cuidavam da casa e dos filhos e, além disso, trabalhavam em fábricas (têxteis, por exemplo), em pequenos comércios, como lavadeiras, costureiras e criadas. Isso é a chamada jornada dupla, que explica a presença delas na vida pública, onde também podiam se rebelar, em greves e protestos por pão e salário.

Conferindo as alternativas:

  • A afirma que a mulher vivia restrita ao espaço doméstico, o que contradiz o texto (rebelde na vida pública) e a realidade das operárias.
  • C atribui a ela a liderança do movimento sufragista, que foi mais ligado às mulheres de classe média; o texto não diz isso.
  • D diz que lhe faltava referencial de boa educação, um preconceito que o texto não sustenta.

A única que combina o texto com o contexto histórico é a B.

Alternativa B.

Pegadinha: A engana por parecer coerente com a violência citada no texto, mas afirma que a mulher ficava restrita ao espaço doméstico, ignorando o trabalho externo.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ADiz que a mulher vivia restrita ao espaço doméstico, mas o texto fala de rebeldia também na vida pública e as operárias trabalhavam fora.
  • CAtribui à mulher popular a liderança do movimento sufragista, que era mais ligado à classe média; o texto não trata disso.
  • DAssocia a rebeldia a uma suposta falta de educação, ideia que o texto não apresenta e que é um preconceito social.

Assunto: Mulheres e relações de gênero.

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Ver como caiu na prova Questão 50 no caderno Q da UNICAMP 2017

Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2017. Prova oficial ↗