PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 32 da UNICAMP 2017

1ª fase · Física: Fissão, fusão e energia nuclear

Era o dia 6 de agosto de 1945. O avião B-29, Enola Gay, comandado pelo coronel Paul Tibbets, sobrevoou Hiroshima a 9.448 metros de altitude e, quando os ponteiros do relógio indicaram 8h16, bombardeou-a com uma bomba de fissão nuclear de urânio, com 3 m de comprimento e 71,1 centímetros de diâmetro e 4,4 toneladas de peso. A bomba foi detonada a 576 metros do solo. Um colossal cogumelo de fumaça envolveu a região. Corpos carbonizados jaziam por toda parte. Atônitos, sobreviventes vagavam pelos escombros à procura de comida, água e abrigo. Seus corpos estavam dilacerados, queimados, mutilados. Cerca de 40 minutos após a explosão, caiu uma chuva radioativa. Muitos se banharam e beberam dessa água. Seus destinos foram selados.

(Adaptado de Sidnei J. Munhoz, “O pior dos fins”. Revista de História da Biblioteca Nacional, maio 2015. Disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/o-pior-dos-fins. Acessado em 23/08/2016.)

A explosão da bomba mencionada no texto

  1. A
    ocorre a partir da desintegração espontânea do núcleo de urânio enriquecido em núcleos mais leves, liberando uma enorme quantidade de energia. Esse bombardeio significou o início da corrida armamentista entre EUA e União Soviética.
  2. B
    ocorre devido à desintegração do núcleo de urânio em núcleos mais leves, a partir do bombardeamento com nêutrons, liberando uma enorme quantidade de energia. Esse ataque é considerado um símbolo do final da II Guerra Mundial.
  3. C
    ocorre a partir da combinação de núcleos de urânio enriquecido com nêutrons, formando núcleos mais pesados e liberando uma enorme quantidade de energia. Esse bombardeio foi uma resposta aos ataques do Japão a Pearl Harbor.
  4. D
    ocorre devido à desintegração do núcleo de urânio em núcleos mais leves, a partir do bombardeamento com nêutrons, liberando uma enorme quantidade de energia. Esse ataque causou perplexidade por ser desferido contra um país que havia permanecido neutro na II Guerra Mundial.
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Resolução comentada

A questão pede duas coisas: o mecanismo físico da bomba e o contexto histórico.

Parte física. A bomba de Hiroshima era de fissão nuclear. Um núcleo de urânio-235 (enriquecido) absorve um nêutron e fica instável. Ele se quebra em dois núcleos mais leves, libera mais nêutrons e uma enorme quantidade de energia. Os nêutrons liberados atingem outros núcleos, o que gera uma reação em cadeia. Portanto, a fissão não é espontânea: ela é provocada pelo bombardeamento com nêutrons. Isso elimina a (A), que diz "desintegração espontânea". A (C) descreve núcleos que se combinam em núcleos mais pesados, e isso é o oposto da fissão.

Parte histórica. Restam (B) e (D), que têm a mesma descrição física. Elas diferem na afirmação histórica:

  1. (D) diz que o Japão permaneceu neutro na guerra. Isso é falso: o Japão fazia parte do Eixo, com Alemanha e Itália, e atacou Pearl Harbor em 1941.
  2. (B) diz que o ataque é símbolo do final da II Guerra Mundial. Isso é correto: Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas em agosto de 1945, e o Japão se rendeu poucos dias depois, em 15 de agosto, encerrando a guerra.

A corrida armamentista entre EUA e URSS, citada na (A), é associada à Guerra Fria, e não a esse bombardeio como seu início.

A única alternativa correta nas duas partes é a (B).

Alternativa B.

Pegadinha: A alternativa D engana porque tem a parte física idêntica à da B; só o erro histórico (Japão neutro) a invalida.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AA fissão não é espontânea, pois é induzida por nêutrons, e a corrida armamentista não começou com esse bombardeio.
  • CDescreve a fusão de núcleos em núcleos mais pesados, e não a fissão; além disso, Hiroshima não foi a resposta direta a Pearl Harbor.
  • DA parte física está certa, mas o Japão não era neutro: era membro do Eixo e atacou Pearl Harbor.

Assunto: Fissão, fusão e energia nuclear.

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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2017. Prova oficial ↗