PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 3 da UNICAMP 2017
Em depoimento, Paulo Freire fala da necessidade de uma tarefa educativa: “trabalhar no sentido de ajudar os homens e as mulheres brasileiras a exercer o direito de poder estar de pé no chão, cavando o chão, fazendo com que o chão produza melhor é um direito e um dever nosso. A educação é uma das chaves para abrir essas portas. Eu nunca me esqueço de uma frase linda que eu ouvi de um educador, camponês de um grupo de Sem Terra: pela força do nosso trabalho, pela nossa luta, cortamos o arame farpado do latifúndio e entramos nele, mas quando nele chegamos, vimos que havia outros arames farpados, como o arame da nossa ignorância. Então eu percebi que quanto mais inocentes, tanto melhor somos para os donos do mundo. (...) Eu acho que essa é uma tarefa que não é só política, mas também pedagógica. Não há Reforma Agrária sem isso.”
(Adaptado de Roseli Salete Galdart, Pedagogia do Movimento Sem Terra: escola é mais que escola. São Paulo: Expressão Popular, 2008, p. 172.)
No excerto adaptado que você leu, há menção a outros arames farpados, como “o arame da nossa ignorância”. Trata-se de uma figura de linguagem para
- Aa conquista do direito às terras e à educação que são negadas a todos os trabalhadores.
- Ba obtenção da chave que abre as portas da educação a todos os brasileiros que não têm terras.
- Ca promoção de uma conquista da educação que tenha como base a propriedade fundiária.
- Da descoberta de que a luta pela posse da terra pressupõe também a conquista da educação.
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Resolução comentada
A expressão "o arame da nossa ignorância" é uma metáfora. O arame farpado do latifúndio é o obstáculo físico, a cerca que impede o acesso à terra. Ao chamar a ignorância de "outro arame farpado", o camponês a compara a essa cerca: a falta de instrução também é uma barreira, só que invisível.
O sentido vem da sequência da fala:
- Pela luta, os trabalhadores "cortaram o arame farpado do latifúndio" e entraram na terra.
- Ao chegar, "vimos que havia outros arames farpados", como a ignorância.
- Conclusão: conquistar a terra não basta, porque a falta de educação continua limitando e deixando o trabalhador à mercê dos "donos do mundo".
- Paulo Freire fecha a ideia: a tarefa é política e pedagógica, e "não há Reforma Agrária sem isso".
A figura expressa, portanto, a descoberta de que a luta pela terra exige também a conquista da educação. Isso corresponde à alternativa D.
A ordem dos fatos é importante: o camponês primeiro obteve a terra e só depois percebeu a nova barreira. A educação é, assim, condição complementar da luta pela terra. Não é a base da propriedade fundiária, nem algo que já tenha sido conquistado.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Adiz que o direito à terra e à educação é negado a todos os trabalhadores, generalização que o texto não faz, e não trata da descoberta de uma nova barreira após a entrada na terra.
- Brestringe a educação a quem não tem terra e fala em obter a chave; o texto trata do trabalhador que já entrou na terra e percebeu outra barreira.
- Cinverte a relação, pondo a propriedade da terra como base da educação, quando o texto mostra que a educação é necessária à luta pela terra.
Assunto: Figuras de palavra: metáfora, comparação e metonímia.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2017. Prova oficial ↗