PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 85 da UNICAMP 2016
Considere que uma das funções da comédia é corrigir os costumes ou criticar os valores de uma sociedade em um período histórico. O cômico em Lisbela e o prisioneiro é
- Aprogressista, porque as ações dramáticas das personagens afrontam a ordem policial e familiar e revelam a inconsistência moral dessa ordem.
- Bliberal, porque visa a restaurar a ordem hierárquica das personagens de classe social superior em um mundo marcado por corrupção moral e religiosa.
- Cradical, porque Citonho e Lisbela planejam a fuga dos presos, rompendo com o pacto da autoridade policial e com a norma do casamento monogâmico.
- Drevolucionário, porque Frederico Evandro encarna a figura do justiceiro que desmoraliza a autoridade corrupta e os falsos sentimentos.
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Resolução comentada
A questão pede o caráter do cômico em Lisbela e o prisioneiro, peça de Osman Lins (a montagem mais conhecida é a adaptação cinematográfica de Guel Arraes). Ela tem quatro alternativas, de A a D.\n\nO conceito central é a função crítica da comédia: o riso expõe os desvios de uma ordem social. Na peça, o malandro Leléu, vigarista e conquistador, é preso e se envolve com Lisbela, moça que sonha com o amor dos filmes. Ele escapa das armadilhas da autoridade (o delegado, o marido traído Frederico Evandro, o pai de Lisbela) de modo esperto e leve, sem violência política.\n\nVejamos o que isso significa:\n\n1. As ações das personagens desafiam a ordem policial (Leléu foge e engana o delegado) e a ordem familiar (Lisbela rompe o noivado e se une a Leléu).\n2. Essas ações mostram que a ordem é frágil: a autoridade é falha, o noivado é convencional e a honra masculina, representada por Frederico Evandro, é ridicularizada.\n3. Trata-se, portanto, de uma crítica que aponta mudanças de costumes, ou seja, um cômico progressista, e não revolucionário nem restaurador.\n\nAs demais alternativas exageram ou invertem os fatos: o cômico não restaura hierarquias, quem planeja a fuga não é Lisbela com Citonho, e Frederico Evandro não é um justiceiro, e sim o marido ciumento e valentão que se torna alvo do riso.\n\nAlternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BDiz que o cômico quer restaurar a hierarquia das classes superiores, o oposto da crítica que a peça faz à ordem vigente.
- CAtribui a fuga a Citonho e Lisbela e fala em ruptura com o casamento monogâmico, o que não corresponde ao enredo; o termo "radical" também exagera.
- DFaz de Frederico Evandro um justiceiro, quando ele é o valentão ridicularizado; e a peça não é revolucionária.
Assunto: Teatro brasileiro moderno e contemporâneo.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2016. Prova oficial ↗