PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 77 da UNICAMP 2016
Em sua versão benigna, a valorização da malandragem corresponde ao elogio da criatividade adaptativa e da predominância da especificidade das circunstâncias e das relações pessoais sobre a frieza reducionista e generalizante da lei. Em sua versão maximalista e maligna, porém, a valorização da malandragem equivale à negação dos princípios elementares de justiça, como a igualdade perante a lei, e ao descrédito das instituições democráticas.
(Adaptado de Luiz Eduardo Soares, Uma interpretação do Brasil para contextualizar a violência, em C. A. Messeder Pereira, Linguagens da violência. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, p. 23-46.)
Considerando as posições expressas no texto em relação à valorização da malandragem, é correto afirmar que:
- AO verbo “equivale” relaciona a valorização da malandragem à negação da justiça, da igualdade perante a lei e das instituições democráticas.
- BEntre os pares de termos “benigna/maligna” e “maximalista/reducionista” estabelece-se no texto uma relação semântica de equivalência.
- CO elogio da malandragem reside na valorização da criatividade adaptativa e da sensibilidade em contraposição à fria aplicação da lei.
- DO articulador discursivo “porém” introduz um argumento que se contrapõe à proposta de valorização da malandragem.
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Resolução comentada
O texto distingue duas versões da valorização da malandragem. Na versão benigna, ela é elogio da criatividade adaptativa e da atenção às circunstâncias e às relações pessoais, em contraste com a lei vista como fria, reducionista e generalizante. Na versão maximalista e maligna, ela "equivale à negação dos princípios elementares de justiça" e ao descrédito das instituições democráticas.
Alternativa por alternativa:
- (A) Atribui a equivalência à valorização da malandragem em geral. Mas o texto só a estabelece para a versão maximalista e maligna. A versão benigna não nega a justiça, e por isso a afirmação generaliza demais.
- (B) "Benigna/maligna" são opostos. "Maximalista" aparece junto de "maligna", e "reducionista" qualifica a lei, não a malandragem. Não há equivalência entre os pares.
- (C) "Sensibilidade" não aparece no texto. O texto fala em criatividade adaptativa e em atenção à especificidade das circunstâncias e das relações pessoais, não em sensibilidade. A alternativa também omite que isso é só a versão benigna.
- (D) "Porém" é uma conjunção adversativa. Ela abre a versão maligna, que contrasta com o elogio da versão benigna. Assim, o argumento introduzido se contrapõe à proposta de valorização da malandragem, e a alternativa está correta.
Alternativa D.
Pegadinha: A alternativa A engana porque usa o verbo "equivale" do texto, mas o aplica à valorização da malandragem em geral, e não só à versão maligna.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AGeneraliza: a equivalência com a negação da justiça vale só para a versão maximalista e maligna, não para a valorização da malandragem como um todo.
- BOs termos são opostos ou qualificam coisas diferentes (a lei é a reducionista), então não há relação de equivalência.
- CIntroduz "sensibilidade", que não está no texto, e trata como a valorização da malandragem em geral o que é só a versão benigna.
Assuntos: Sentido das palavras: sinonímia, antonímia e campo semântico, Tema, ideia central e informações explícitas.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2016. Prova oficial ↗