PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 8 da UNICAMP 2015
Leia o seguinte excerto de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis:
Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.
(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p.120.)
Na passagem citada, a substituição da máxima pascalina de que o homem é um caniço pensante pelo enunciado “o homem é uma errata pensante” significa
- Aa realização da contabilidade dos erros acumulados na vida porque, em última instância, não há “edição definitiva”.
- Ba tomada de consciência do caráter provisório da existência humana, levando à celebração de cada instante vivido.
- Ca tomada de consciência do caráter provisório da existência humana e a percepção de que esta é passível de correção.
- Da ausência de sentido em “cada estação da vida”, já que a morte espera o homem em sua “edição definitiva”.
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Resolução comentada
Pascal diz que o homem é um "caniço pensante": frágil como uma planta, mas grande por pensar. Brás Cubas troca a imagem por "errata pensante". Errata é a lista de correções de erros de um livro já impresso.
O trecho desenvolve a metáfora em etapas:
- "Cada estação da vida é uma edição": cada fase da vida é uma versão do livro que é a existência.
- Essa edição "corrige a anterior": o homem revê o que pensou e fez antes, e se corrige.
- Ela "será corrigida também": nenhuma fase é fixa, tudo é provisório.
- A "edição definitiva" é dada "aos vermes": só a morte encerra o processo de revisão.
Logo, a troca de imagens exprime duas ideias juntas: a consciência de que a existência é provisória, sempre sujeita a revisão, e a percepção de que ela pode ser corrigida a cada fase.
Confronto com as demais alternativas: o texto não fala em contabilizar erros acumulados (A), nem em celebrar cada instante, o que seria um tom alheio ao pessimismo irônico de Brás (B). Também não afirma que a vida não tem sentido: as edições corrigem umas às outras, e isso é um processo, não uma ausência de sentido (D).
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO texto não trata de contabilizar erros acumulados; a errata fala de correção sucessiva, não de balanço de falhas.
- BA ideia de celebrar cada instante não aparece no trecho, cujo tom é irônico e pessimista.
- DAtribui ao texto uma ausência de sentido que ele não afirma; as fases têm função de corrigir as anteriores.
Assuntos: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Figuras de palavra: metáfora, comparação e metonímia.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2015. Prova oficial ↗