PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 35 da UNICAMP 2011
O primeiro recenseamento geral do Império foi realizado em 1872. Nos recenseamentos parciais anteriores, não se perguntava sobre a cor da população. O censo de 1872, ao inserir essa informação, indica uma mudança, orientada por um entendimento do conceito de raça que ancorava a cor em um suporte pretensamente mais rígido. Com a crise da escravidão e do regime monárquico, que levou ao enfraquecimento dos pilares da distinção social, a cor e a raça tornavam-se necessárias.
(Adaptado de Ivana Stolze Lima, Cores, marcas e falas: sentidos da mestiçagem no Império do Brasil. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2003, p. 109, 121.)
A partir do enunciado, podemos concluir que há um uso político na maneira de classificar a população, já que
- Ao conceito de raça permitia classificar a população a partir de um critério mais objetivo do que a cor, garantindo mais exatidão nas informações, o que era necessário em um momento de transição para um novo regime.
- Bno final do Império, o enfraquecimento dos pilares da distinção social era causado pelo fim da escravidão. Nesse contexto, ao perguntar sobre a raça da população, o censo permitiria a elaboração de políticas públicas visando à inclusão social dos ex-escravos.
- Ca introdução do conceito de raça no censo devia-se a uma concepção, cada vez mais difundida após 1870, que propunha a organização e o governo da sociedade a partir de critérios objetivos e científicos, o que levaria a uma maior igualdade social.
- Dno final do Império, a associação entre a cor da pele e o conceito de raça criava um novo critério de exclusão social, capaz de substituir as formas de distinção que eram próprias da sociedade escravista e monárquica em crise.
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Resolução comentada
O texto diz que o censo de 1872 passou a perguntar a cor da população e que isso refletia um conceito de raça que "ancorava a cor em um suporte pretensamente mais rígido". Diz também que, com a crise da escravidão e da monarquia, os "pilares da distinção social" se enfraqueciam, e por isso "a cor e a raça tornavam-se necessárias".
O raciocínio é este:
- Na sociedade escravista e monárquica, a hierarquia vinha de categorias jurídicas, como escravo e livre, e da ordem imperial.
- Com a crise desses pilares, essas categorias deixavam de bastar para distinguir as pessoas.
- A raça, apoiada na cor, entra como novo critério de classificação e hierarquização, mais "rígido" na pretensão, ou seja, que se apresentava como natural.
- Esse é o uso político: classificar para manter a distinção social e a exclusão quando os critérios antigos desaparecem.
A alternativa D diz exatamente isso: a associação entre cor e raça cria um novo critério de exclusão, capaz de substituir as distinções da sociedade escravista e monárquica em crise.
As outras alternativas atribuem ao censo objetividade real, inclusão social ou igualdade, ideias que o texto não sustenta. O autor usa "pretensamente", ironizando a suposta objetividade.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Atoma como real a objetividade da raça, mas o texto diz "pretensamente" mais rígido, e o foco é o uso político, não a exatidão.
- Bo texto não fala em políticas de inclusão dos ex-escravos; a classificação servia para distinguir, não para incluir.
- Cvincula o censo a critérios científicos que levariam à igualdade, o oposto da ideia de nova distinção social.
Assunto: Escravidão no Império e abolição.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2011. Prova oficial ↗