PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 34 da UNICAMP 2011

1ª fase · Artes: Renascimento e Barroco

A arte colonial mineira seguia as proposições do Concílio de Trento (1545-1553), dando visibilidade ao catolicismo reformado. O artífice deveria representar passagens sacras. Não era, portanto, plenamente livre na definição dos traços e temas das obras. Sua função era criar, segundo os padrões da Igreja, as peças encomendadas pelas confrarias, grandes mecenas das artes em Minas Gerais.

(Adaptado de Camila F. G. Santiago, “Traços europeus, cores mineiras: três pinturas coloniais inspiradas em uma gravura de Joaquim Carneiro da Silva”, em Junia Furtado (org.), Sons, formas, cores e movimentos na modernidade atlântica. Europa, Américas e África. São Paulo: Annablume, 2008, p. 385.)

Considerando as informações do enunciado, a arte colonial mineira pode ser definida como

  1. A
    renascentista, pois criava na colônia uma arte sacra própria do catolicismo reformado, resgatando os ideais clássicos, segundo os padrões do Concílio de Trento.
  2. B
    barroca, já que seguia os preceitos da Contrarreforma. Era financiada e encomendada pelas confrarias e criada pelos artífices locais.
  3. C
    escolástica, porque seguia as proposições do Concílio de Trento. Os artífices locais, financiados pela Igreja, apenas reproduziam as obras de arte sacra europeias.
  4. D
    popular, por ser criada por artífices locais, que incluíam escravos, libertos, mulatos e brancos pobres que se colocavam sob a proteção das confrarias.
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Resolução comentada

O Concílio de Trento (1545-1563) foi o marco da Contrarreforma, a resposta da Igreja Católica à Reforma protestante. A arte ligada a esse movimento é o Barroco: dramático, emotivo e voltado a fortalecer a fé por meio de imagens sacras. É o estilo que predominou em Minas Gerais no século XVIII.

O enunciado traz três informações:

  1. A arte seguia as proposições de Trento, ou seja, era arte da Contrarreforma ("catolicismo reformado").
  2. Os artífices representavam passagens sacras segundo padrões da Igreja, sem plena liberdade.
  3. As peças eram encomendadas pelas confrarias, os grandes mecenas, isto é, financiadores.

A alternativa B reúne tudo isso: barroca, ligada à Contrarreforma, encomendada pelas confrarias e feita por artífices locais.

As demais falham. A arte renascentista é anterior e de ideais clássicos, antropocêntricos, e não se vincula a Trento. "Escolástica" é termo da filosofia medieval, não de estilo artístico. Além disso, os artífices mineiros não apenas copiavam: adaptavam gravuras europeias, como o próprio texto indica (traços europeus, cores mineiras). Já "popular" não decorre do enunciado, que destaca o controle da Igreja e o mecenato das confrarias.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AChama de renascentista uma arte da Contrarreforma; o resgate dos ideais clássicos não corresponde ao Barroco nem ao Concílio de Trento.
  • C"Escolástica" é corrente filosófica medieval, não estilo artístico, e os artífices locais não apenas reproduziam obras europeias.
  • DA origem social dos artífices não aparece no enunciado, que enfatiza os padrões da Igreja e o mecenato das confrarias, e "popular" não define o estilo.

Assunto: Renascimento e Barroco.

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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2011. Prova oficial ↗