Questão 12 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2026
A praia da Areia Preta, no Espírito Santo, é um achado. Ela contém tório, um metal radioativo que, se aquecido, produz uma luz forte e duradoura. Na 2a Guerra Mundial, cientistas americanos descobriram que era possível usar o tório para produzir o urânio que serviria tanto para reatores nucleares quanto para bombas. Toda a negociação para a compra foi feita sem que o governo brasileiro soubesse exatamente o que os americanos queriam com tantas toneladas de areia. Tudo era inserido na política da boa vizinhança. No entanto, Getúlio acabou percebendo o valor da areia. Em 1951, quando foi criado o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), a exploração dos principais minérios atômicos passou para a mão do Estado, que proibiu a exportação de tório, a não ser com autorização expressa do governo. As negociações eram desfavoráveis ao Brasil, com a areia radioativa sendo entregue a preços baixos ou transacionada por produtos de valor muito menor. O País até tentou exportar o tório já beneficiado por usinas locais, como forma de garantir mais lucros. A partir dessa atitude do governo brasileiro, os Estados Unidos passaram a taxar o metal em 33%, inviabilizando o negócio. A areia bruta não era taxada. Nos acordos de venda da areia, os EUA nunca compartilharam tecnologia e conhecimento atômico com o Brasil, o que gerou uma tensão política entre os países.
(Adaptado de GARATTONI, B. A praia radioativa. Superinteressante, jan. 2018. Disponível em https://super.abril.com.br/historia/a-praia-radioativa/. Acesso em 04/11/2025.)
a) Considerando o contexto da Guerra Fria, cite e explique dois aspectos da postura dos EUA em relação à importação de tório do Brasil no início dos anos 1950.
b) Quais eram os papéis do Estado no ideário getulista? Utilize dois exemplos do texto para fundamentar sua resposta.
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