Questão 11 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2026

2º dia · História

Os italianos imigrados para o interior de São Paulo, entre o final do século XIX e o começo do século XX, não se reconheciam como pertencentes a uma pátria. Nas fazendas de café, os italianos trabalhavam lado a lado com imigrantes de outros países, portugueses, espanhóis – e com ex-escravizados e seus descendentes que permaneceram nas áreas rurais após a libertação. No Brasil, em vez de calabreses, romanos, napolitanos ou vênetos, eram chamados de italianos. Do outro lado do Atlântico, a unificação italiana ocorreu pouco antes da grande imigração para o Brasil. Até então, a Itália era composta por vários reinos, com sistemas monetários e políticos próprios. O reino do Piemonte-Sardenha, mais rico e industrializado e com interesse em ampliar o mercado e influência, liderou a guerra pela unificação italiana. Apesar de o reino da Itália ter nascido em 1861, o processo só foi concluído após os conflitos que resultaram na anexação de Veneza (1866), Roma (1870) e, bem depois, Trento e Trieste (1918). A resistência de certas partes do território da península em tomar parte do projeto de nação teria postergado a construção do sentimento de italianidade na Itália, enquanto, no Brasil, esse processo teria se iniciado logo nos primeiros anos do século XX.

(Adaptado de QUIEROZ, R. União na distância – De início apegados à cultura de suas regiões de origem, italianos construíram no Brasil a noção de italianidade. Revista Fapesp. Edição 248. Out. 2016.)

A partir da leitura do texto, responda aos itens (a) e (b).

a) Qual é a tese do texto sobre a formação da italianidade no Brasil? Cite dois argumentos usados pela reportagem para sustentar a tese mencionada.

b) Sobre a Unificação Italiana, identifique duas motivações para sua execução e duas resistências a esse processo.

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a) A tese do texto é que a identidade nacional italiana (a "italianidade") se formou primeiro no Brasil, no começo do século XX, e só depois, ou mais lentamente, na própria Itália. Os imigrantes chegaram com identidades regionais (calabreses, napolitanos, vênetos) e passaram a se reconhecer como "italianos" no convívio e na distância da terra natal.

Dois argumentos do texto:

  1. No Brasil, os imigrantes eram identificados pelos outros apenas como "italianos", e não por sua região de origem. Essa classificação externa apagou as diferenças regionais e criou um rótulo comum.
  2. Nas fazendas de café, eles conviviam e trabalhavam com portugueses, espanhóis e ex-escravizados. Esse contraste com outros grupos reforçou a percepção de pertencerem a um mesmo grupo nacional.

Um terceiro argumento, que também serve: na Itália, a unificação foi gradual (1861, 1866, 1870, 1918) e enfrentou resistências regionais, o que atrasou o sentimento de italianidade.

Resposta: a italianidade teria se consolidado antes no Brasil do que na Itália; argumentos: os imigrantes passaram a ser chamados genericamente de "italianos" e conviveram com outros grupos nas fazendas, o que os uniu.

b) O texto indica motivações ligadas ao Reino do Piemonte-Sardenha, o líder do processo:

  • Motivação econômica: ampliar o mercado consumidor para a produção industrial, já que o reino era mais rico e industrializado, e superar a fragmentação de moedas e sistemas próprios.
  • Motivação política: ampliar a influência do Piemonte-Sardenha e criar um Estado unificado sob sua liderança.

Resistências:

  • Resistência regional: partes da península relutaram em aderir ao projeto de nação, apegadas às suas culturas e identidades regionais. Por isso a unificação precisou de guerras e anexações sucessivas (Veneza, 1866; Roma, 1870; Trento e Trieste, 1918).
  • Resistência política e institucional: reinos e territórios com sistemas políticos e monetários próprios, como os Estados Pontifícios (Roma), e potências que dominavam regiões, como a Áustria em Veneza, trento e Trieste, se opuseram à anexação.

Resposta: motivações: ampliar o mercado e a influência do Piemonte-Sardenha (econômica) e unificar moedas e sistemas políticos sob um só Estado; resistências: apego às identidades e culturas regionais, e oposição de Estados com governos próprios (Roma, Veneza), exigindo guerras.

Assuntos: unificação italiana, imigração italiana no brasil, identidade nacional.

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