PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 8 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2025
Um grupo de pesquisadores revelou que a borboleta Heliconius elevatus, da Amazônia, é uma espécie híbrida. A espécie se originou do cruzamento entre outras duas do mesmo gênero, H. melpomene e H. pardalinus, e acredita-se que a hibridização aconteceu há cerca de 180 mil anos, segundo análises genéticas.

(https://revistapesquisa.fapesp.br/borboleta-amazonica-surgiu-do-cruzamento-entre-duas-especies/. Acesso em 13/5/2024.)
a) A borboleta H. elevatus tem apenas 1% do material genético idêntico ao de H. melpomene, mas essa pequena proporção tem impacto na aparência, pois esses genes são os responsáveis por conferir o desenho e as cores nas asas. Sabe-se que a espécie H. melpomene é tóxica e tem um sabor desagradável. Explique, do ponto de vista evolutivo, a importância para a H. elevatus de ser parecida com uma espécie já existente ao invés de ter um padrão de desenho e cores completamente novo.
b) Os liquens, assim como as borboletas, são reconhecidos como importantes indicadores biológicos. Explique duas razões pelas quais as borboletas podem ser consideradas indicadores biológicos no monitoramento ambiental.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) A H. melpomene é tóxica e tem sabor desagradável. Seu padrão de cores vivas funciona como coloração de aviso (aposemática): os predadores, como aves, aprendem que borboletas com aquele desenho são impalatáveis e passam a evitá-las.
A H. elevatus herdou os genes do desenho de asas da H. melpomene e, com isso, passou a ter aparência muito semelhante à dela. Isso é um caso de mimetismo (mülleriano, se a H. elevatus também for impalatável). Os predadores já associam esse padrão ao gosto ruim e não atacam a H. elevatus.
Do ponto de vista evolutivo, indivíduos com esse padrão têm maior sobrevivência e deixam mais descendentes. Isso é seleção natural favorecendo o fenótipo semelhante ao da espécie já conhecida.
Um padrão completamente novo seria desconhecido dos predadores. Eles precisariam aprender, e nesse processo muitos indivíduos seriam predados. Por isso, ser parecida com uma espécie já existente traz vantagem adaptativa imediata.
Resposta: a semelhança com a H. melpomene tóxica gera mimetismo e proteção contra predadores, que já aprenderam a evitar esse padrão. Isso aumenta a sobrevivência e a reprodução (seleção natural), enquanto um padrão novo não seria reconhecido como aviso.
b) Um bioindicador é um organismo cuja presença, ausência, abundância ou condição reflete a qualidade do ambiente. Duas razões pelas quais as borboletas servem a esse papel:
- Sensibilidade a alterações ambientais. Têm ciclo de vida curto e dependem de condições específicas de temperatura, umidade e luminosidade. Mudanças no clima, poluição, uso de agrotóxicos e fragmentação ou desmatamento alteram rapidamente a composição e a abundância das populações.
- Dependência de plantas específicas. As lagartas se alimentam de plantas hospedeiras determinadas, e os adultos dependem de flores e frutos. Assim, a riqueza de borboletas reflete a diversidade e a conservação da vegetação local.
Além disso, são fáceis de observar, amostrar e identificar, o que facilita o monitoramento ao longo do tempo.
Resposta: (1) são muito sensíveis a variações ambientais (clima, poluição, agrotóxicos, perda de habitat), com resposta rápida das populações; (2) dependem de plantas hospedeiras e de recursos específicos, de modo que sua diversidade reflete a qualidade e a conservação do ambiente.
Assuntos: Especiação, Seleção natural e adaptação.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2025. Prova oficial ↗