Questão 6 (1º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2025
Leia o texto a seguir para responder às questões.
Palavras são entes vivos: nascem e morrem, com toda uma história que pode ser curta ou longa – às vezes tão longa que simula a eternidade, enganando muita gente – de entremeio. O legal das gírias é que elas nos permitem acompanhar esse ciclo em miniatura como se estivéssemos num laboratório: vão do nascimento à morte, como qualquer palavra, mas com raras exceções (como bacana) percorrem rapidamente a distância entre os dois pontos. O caráter efêmero está na sua natureza. A brevidade da vida é o preço que pagam pela intensidade com que se jogam, cheias de ímpeto juvenil, em todos os excessos da missão de comunicar, misturando sentido e atitude. São como certos artistas malditos: brilham demais e se consomem depressa. Durar além da conta seria visto, no caso delas e deles, como um ato de mau gosto. Quanto tempo levará o atualíssimo verbo tankar, por exemplo, para virar peça de museu? Um dos efeitos de tanta efemeridade é que as gírias se esmeram em denunciar a idade de quem as usa. Um dia dei uma mancada: estranhei quando me disseram que a palavra mancada era arcaica. Reagi ao que me parecia uma afirmação francamente absurda, fiz enquetes e acabei concluindo que, sim, o prazo de validade de mancada tinha vencido fazia tempo. Não tanto tempo, porém, que me permitisse retomá-la em chave irônica, como supimpa. Que mancada! Etarismo à parte, recomenda-se cuidado com essas coisas numa sociedade de adesão automática ao novo, em que envelhecer além de certa idade é encarado como uma espécie de gafe.
(Adaptado de RODRIGUES, S. O discreto charme da gíria antiga. Folha de S. Paulo, 23 jul. 2024.)
a) Indique dois exemplos de gírias mencionadas no texto: uma que funcione como marcador social de idade e outra que funcione como pertencimento a um grupo. Justifique a sua resposta em cada caso.
b) Descreva a analogia entre o ciclo de vida humana e o das gírias. No enunciado, “envelhecer além de certa idade é encarado como uma espécie de gafe”, há uma crítica ao etarismo. Explique como essa crítica se aplica ao uso das gírias.
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