PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 3 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2018
O orientalismo é um estilo de pensamento baseado em uma distinção entre Oriente e Ocidente. Quando o orientalista culto viajava para o país de sua especialização, ia sempre acompanhado de máximas inabaláveis sobre a “civilização” que estudara; eram raros os orientalistas que tinham outro interesse que não o de provar poeirentas “verdades”, aplicando-as aos nativos que não os entendiam e, portanto, eram degenerados. O Oriente precisava primeiro ser conhecido, depois invadido e possuído, e então recriado por estudiosos. (Adaptado de Edward Said, Orientalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1990).

(Dança no Harém, Giulio Rosati. Disponível em: www.ancient-origins.net/history-ancient-traditions/imperial-harem-ottoman-empire-more -just-beautiful-women-007835. Acessado em 10/09/2017.)
Considerando o texto e o quadro acima reproduzido e seus conhecimentos, responda às questões:
a) Segundo Edward Said, o que era o orientalismo?
b) Identifique um elemento do Orientalismo no quadro do pintor italiano Giulio Rosati (1858-1917) e explique esse elemento.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) Para Edward Said, o orientalismo é um estilo de pensamento, um discurso construído pelo Ocidente, baseado numa distinção entre Oriente e Ocidente. Os estudiosos europeus (orientalistas) criaram uma imagem do Oriente como o "outro": exótico, atrasado, imutável, sensual e degenerado, em oposição a um Ocidente racional, moderno e civilizado. O texto mostra que essa imagem vinha de "verdades" prontas, tiradas dos livros, e não do interesse real em conhecer os povos orientais. Essas "verdades" eram aplicadas aos nativos, que, se não se encaixavam nelas, eram tachados de degenerados. Por isso, o saber orientalista não era neutro. Ele servia ao domínio imperialista europeu, já que o Oriente deveria ser conhecido, invadido, possuído e recriado pelos estudiosos. Era, portanto, uma forma de justificar e exercer poder sobre o Oriente.
Resposta: o orientalismo era um estilo de pensamento que opunha Oriente e Ocidente, criando uma imagem estereotipada e inferiorizada do Oriente, que legitimava o domínio imperialista europeu.
b) Um elemento orientalista do quadro é a representação do harém, com a dançarina seminua e as mulheres reclinadas em tapetes, tocando pandeiros e conversando, observadas por um homem ao fundo.
Essa cena expressa a visão europeia do Oriente como lugar de sensualidade, luxo e ociosidade. A mulher oriental aparece como objeto de contemplação e de desejo masculino, passiva e exótica. O ambiente de arcos mouriscos, mosaicos, lâmpadas e tapetes reforça o exotismo e o fascínio pelo "misterioso" Oriente. O pintor era italiano e não vivenciava aquele espaço, que era privado e de acesso restrito. A imagem é, portanto, uma fantasia criada para o público europeu, no auge do imperialismo, e não um retrato fiel da sociedade islâmica.
Resposta: a cena do harém, com a dançarina seminua e mulheres ociosas, traduz a imagem europeia do Oriente como sensual, exótico e submisso, uma fantasia construída pelo olhar ocidental.
Assunto: Imperialismo e neocolonialismo.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2018. Prova oficial ↗