Questão 1 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2016
A palavra árabe iman provém de uma raiz que significa ‘ter certeza’ e designa fé, no sentido da certeza. A fé, por conseguinte, não contradiz o conhecimento nem a compreensão. Pelo contrário, o desejo de saber é uma obrigação religiosa, e os tempos pré-islâmicos (século VI) na Arábia são chamados pelos islâmicos de jahiliya, ignorância.
(Adaptado de Burkhard Scherer (org.), As Grandes religiões: temas centrais comparados. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 77.)
a) Cite uma característica política e uma característica religiosa da península arábica pré-islâmica.
b) Como conviveram fé e conhecimento científico no mundo islâmico na Alta Idade Média?
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) Antes do islã (século VI), a península arábica não tinha um Estado unificado. A organização política era descentralizada, baseada em tribos e clãs, em geral de beduínos nômades no deserto e de comerciantes nas cidades, como Meca e Medina. Os laços de parentesco e as alianças entre tribos regulavam a vida política, e as disputas eram frequentes.
No plano religioso, predominava o politeísmo, com o culto a vários deuses, a astros e a elementos da natureza. Em Meca, a Caaba abrigava ídolos de diversas tribos e atraía peregrinos. Havia também comunidades judaicas e cristãs, além da crença em um deus supremo, Alá, entre os árabes. Essa é a jahiliya (ignorância) de que fala o texto.
Característica política: fragmentação em tribos e clãs, sem poder central. Característica religiosa: politeísmo, com culto a ídolos (como na Caaba de Meca).
b) O texto mostra que, para o islã, a fé (iman) é certeza e não se opõe ao saber: buscar o conhecimento é obrigação religiosa. Por isso, na Alta Idade Média (séculos VIII a XI, aproximadamente), a fé e a ciência conviveram de modo complementar no mundo islâmico, e o saber foi incentivado pelos califados.
Os califas abássidas apoiaram centros de estudo, como a Casa da Sabedoria, em Bagdá. Ali se traduziram para o árabe obras gregas, persas e indianas de filosofia, matemática, medicina e astronomia. Os muçulmanos também produziram conhecimento próprio: a álgebra de al-Khwarizmi, a difusão dos algarismos indo-arábicos, a medicina de Avicena e de Razi, a ótica e a astronomia. Esses avanços serviam também a fins religiosos, como determinar a direção de Meca e os horários de oração. Esse saber chegou depois à Europa cristã, sobretudo pela Península Ibérica.
Fé e conhecimento conviveram de forma complementar: o islã valorizava o saber como dever religioso, e isso estimulou a tradução de obras antigas e o avanço de matemática, medicina e astronomia.
Assuntos: islamismo, arábia pré-islâmica, ciência no mundo islâmico.
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