Questão 3 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2014
Desde o início da colonização, os portugueses chamaram de tapuias os grupos indígenas que julgavam bárbaros, por seus hábitos culturais distintos dos que habitavam o litoral e por seu poder de resistência aos portugueses.
a) Contextualize historicamente os significados de Guerra Justa para os portugueses a partir do fim da Idade Média.
b) Indique duas práticas dos indígenas que os portugueses consideravam bárbaras.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) A ideia de Guerra Justa vem da tradição cristã medieval: era a guerra que a Igreja aceitava como legítima, sobretudo contra os infiéis (muçulmanos, mouros) e contra quem atacasse os cristãos ou impedisse a pregação da fé. Em Portugal, ela serviu de justificativa para a Reconquista e para a expansão no norte da África, no início da Era Moderna, a partir do século XV.
Com as Grandes Navegações, o conceito foi ampliado e passou a legitimar a conquista e a escravização de povos não cristãos na África e na América. Isso conciliava os interesses econômicos da Coroa e dos colonos com a missão religiosa de expandir o cristianismo.
No Brasil colonial, a Coroa em geral proibia a escravização indígena, mas abria exceções por meio da Guerra Justa. Ela era permitida contra grupos que resistissem à conversão, atacassem colonos ou aldeamentos, ou praticassem antropofagia. Os índios assim capturados podiam ser escravizados, e os chamados tapuias, mais resistentes, foram alvos frequentes. Houve ainda os resgates, que compravam como cativos os prisioneiros de outras tribos. A Guerra Justa servia, portanto, para justificar a escravidão e a ocupação de terras.
Resposta: a Guerra Justa, herdada da cristandade medieval, foi usada pelos portugueses para legitimar a guerra e a escravização de povos não cristãos ou resistentes, aplicada aos indígenas que recusavam a conversão ou atacavam colonos.
b) Os portugueses viam como bárbaras sobretudo duas práticas:
- A antropofagia ritual, em que se comia o inimigo capturado em guerra. Os europeus a interpretavam como crueldade e ausência de civilização, e ela servia de pretexto para a guerra justa.
- A poligamia, comum entre chefes, além da nudez e das crenças religiosas não cristãs (pajelança, ritos). Os europeus viam nisso desordem moral e pecado.
Outras respostas aceitáveis: a guerra entre tribos e o nomadismo, vistos como falta de organização, de lei e de religião.
Resposta: antropofagia ritual e poligamia (também nudez e ritos religiosos não cristãos).
Assuntos: guerra justa, colonização portuguesa, povos indígenas.
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