Questão 16 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2013

2º dia · Ciências Humanas e Artes

Após a queda da monarquia, a República tentou ligar-se à memória da abolição. Seu principal argumento era a recusa do Exército em capturar os escravos fugidos. Reivindicava-se, assim, o reconhecimento dos republicanos militares como atores da abolição e redentores da pátria livre. Nas comemorações oficiais da abolição, o 13 de maio e o 15 de novembro eram apresentados como datas complementares de um mesmo processo de modernização do país, abrindo as portas do Brasil ao progresso e à civilização. De modo complementar, ligava-se o sistema monárquico à escravidão e ao atraso do país.

(Adaptado de Robert Daibert Jr., “Guerra de Versões”. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, jun. 2008. http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/guerra-de-versoes. Acessado em 30/09/2012.)

a) Explique por que o regime republicano associou a monarquia à escravidão.

b) Como a questão militar contribuiu para o fim do Império do Brasil?

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Resolução comentada

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a) Os republicanos precisavam legitimar o novo regime diante de uma sociedade que acabara de viver a abolição (1888). A escravidão tinha sido a base da economia e da ordem social do Império e foi mantida pela monarquia por quase todo o século XIX. O Brasil foi o último país das Américas a aboli-la, e a Lei Áurea só veio após leis graduais (Eusébio de Queirós, Ventre Livre, Sexagenários), pressão do movimento abolicionista e fugas em massa.

Ao ligar a monarquia à escravidão e ao atraso, a República se apresentava como símbolo de modernização, progresso e civilização. Também disputava a memória da abolição: atribuía à Princesa Isabel e ao Império uma medida tardia e forçada, e destacava o papel do Exército, que se recusara a capturar escravos fugidos. Assim, o 15 de novembro surgia como continuação do 13 de maio, e a monarquia, como obstáculo ao progresso.

A monarquia foi associada à escravidão para deslegitimá-la como regime atrasado e para a República se apresentar como herdeira da abolição, da modernização e do progresso.

b) A Questão Militar foi uma série de conflitos entre o Exército e o governo imperial nos anos 1880. Os oficiais, muitos deles com formação positivista e prestígio ampliado após a Guerra do Paraguai, sentiam-se desvalorizados: tinham soldos baixos, pouca influência política e promoções lentas.

O estopim foram as punições a oficiais (como o coronel Cunha Matos e o tenente-coronel Sena Madureira) que se manifestaram publicamente pela imprensa, contrariando a proibição do governo. Houve ainda a recusa dos militares em capturar escravos fugidos, o que abalou a disciplina e a lealdade ao Império.

O Exército, liderado por Deodoro da Fonseca e apoiado por Benjamin Constant, ficou cada vez mais hostil ao governo. Somado ao desgaste da monarquia (abolição sem indenização aos fazendeiros, conflito com a Igreja, avanço das ideias republicanas), isso levou ao golpe de 15 de novembro de 1889.

A Questão Militar gerou o descontentamento e o rompimento do Exército com o governo, que passou a apoiar os republicanos e, liderado por Deodoro, deu o golpe que proclamou a República.

Assuntos: questão militar, proclamação da república, abolição da escravidão.

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