Questão 3 (1º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2012

1º dia · Português

Dois quadros lado a lado. À esquerda, sob o título TEXTO I, há um texto informativo: "Entre 1995 e 2008, 12,8 milhões de pessoas saíram da condição de pobreza absoluta (rendimento médio domiciliar per capita até meio salário mínimo mensal), permitindo que a taxa nacional dessa categoria de pobreza caísse 33,6%, passando de 43,4% para 28,8%. No caso da taxa de pobreza extrema (rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo mensal), observa-se um contingente de 13,1 milhões de brasileiros a superar essa condição, o que possibilitou reduzir em 49,8% a taxa nacional dessa categoria de pobreza, de 20,9%, em 1995, para 10,5%, em 2008. (Dimensão, evolução e projeção da pobreza por região e por estado no Brasil, Comunicados do IPEA, 13/07/2010, p. 3.)". À direita, sob o título TEXTO II, há uma charge de Benett ambientada em uma comunidade carente, com barracos de madeira e um valão de esgoto a céu aberto correndo pelo chão. Dois homens curvados olham para o solo; um pergunta: "VOCÊ CONSEGUE VER A LINHA QUE DIVIDE A MISÉRIA DA POBREZA?", ao que o outro aponta para o valão e responde: "NÃO. MAS DEVE ESTAR DEBAIXO DESSE ESGOTO A CÉU ABERTO." À direita, na porta de um barraco suspenso por estacas, uma criança observa a cena, ao lado de um cachorro na base. Abaixo da charge consta a fonte: "(BENETT, chargesdobenett.zip.net. Acessado em 21/10/2011.)".

a) Podemos relacionar os termos miséria e pobreza, presentes no TEXTO II, a dois conceitos que são abordados no TEXTO I. Identifique esses conceitos e explique por que eles podem ser relacionados às noções de miséria e pobreza.

b) Que crítica é apresentada no TEXTO II? Mostre como a charge constrói essa crítica.

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Resolução comentada

a) O Texto I trata de duas categorias de pobreza definidas pela renda: a pobreza absoluta (renda média domiciliar per capita de até meio salário mínimo) e a pobreza extrema (renda de até um quarto de salário mínimo).

Na charge, pobreza corresponde à pobreza absoluta e miséria corresponde à pobreza extrema. A relação se justifica porque os dois pares são hierarquizados e separados por um corte de renda. A pobreza absoluta é a faixa mais ampla, e a extrema é a faixa mais grave dentro dela, com renda ainda menor. Do mesmo modo, a miséria é a situação mais severa e a pobreza é a condição mais geral. Por isso a pergunta da charge sobre a "linha que divide a miséria da pobreza" remete às linhas de renda usadas pelo IPEA para separar as duas categorias.

Resposta: os conceitos são pobreza absoluta (pobreza) e pobreza extrema (miséria), ambos definidos por faixas de renda, sendo a extrema a mais grave.

b) A charge critica o uso de critérios estatísticos de renda para classificar a pobreza. Esses números, como os do Texto I, dão a impressão de progresso, mas escondem as condições reais de vida das pessoas. Critica também a distância entre os dados oficiais e a realidade, pois a linha de renda não mostra a falta de saneamento, de moradia digna e de serviços básicos.

A crítica é construída assim:

  1. Os dois homens olham para o chão, procurando uma "linha" concreta, como se a divisão estatística pudesse ser vista. Isso ironiza a abstração do conceito.
  2. A resposta do segundo homem, "deve estar debaixo desse esgoto a céu aberto", mostra que a linha é invisível e que a realidade concreta é de miséria, com esgoto exposto, e não de números.
  3. O cenário (barracos de madeira sobre estacas, valão de esgoto, cachorro) mostra que, mesmo com a queda dos índices, as pessoas continuam em condições degradantes.
  4. A criança que observa da porta sugere que quem vive essa situação, sem poder mudá-la, não se importa com definições técnicas.

Resposta: a charge critica a distinção estatística entre pobreza e miséria, que não reflete a precariedade real; ela o faz com a busca irônica pela "linha" invisível, a fala sobre o esgoto e o cenário de precariedade.

Assuntos: interpretação de textos, charge, pobreza e miséria.

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