PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 47 da UNESP 2026
Maquiando os transgênicos
Mostarda mais palatável que alface? Indústria alimentícia usa técnica premiada com o Nobel para tornar alimentos mais atrativos e tentar quebrar resistência de parte dos consumidores

O primeiro protótipo tem previsão de lançamento no mercado ainda em 2025: uma folha de mostarda geneticamente modificada para remover sua picância. A proposta foi originalmente desenvolvida pela startup de tecnologia agrícola Pairwise, que firmou um acordo exclusivo de licenciamento de produto com a multinacional alemã Bayer para desenvolver e comercializar o vegetal. As modificações foram feitas a partir de uma técnica capaz de alterar com alta precisão o DNA de animais, plantas e microrganismos, a mesma que, em 2020, rendeu às pesquisadoras Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna o Prêmio Nobel de Química.
(Raoni Schroeder. https://cienciahoje.org.br, maio de 2025. Adaptado.)
Sob os pontos de vista da geografia e da biologia, a produção de gêneros agrícolas transgênicos promove, respectivamente,
- Aa redefinição do conceito de espaço rural e a validade da teoria da evolução das espécies na contemporaneidade.
- Bo desenvolvimento de novas relações de trabalho no campo e a redução dos impactos antrópicos sobre os espaços naturais.
- Ca ineficácia da modernização do campo diante da mão de obra não qualificada e a adaptação de espécies nativas em novos ambientes de cultivo.
- Da incorporação de saberes tradicionais nas áreas agrícolas e a interrupção de ciclos biogeoquímicos associados à vida vegetal.
- Ea dificuldade no acesso de pequenos agricultores às sementes produzidas em laboratório e a descaracterização de mecanismos naturais de defesa contra predadores.
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Resolução comentada
A questão pede, para os transgênicos, uma consequência geográfica e uma biológica, nessa ordem. O texto trata de uma mostarda editada com CRISPR (Nobel de Química de 2020) para perder a picância. Essa picância é justamente uma defesa química natural da planta contra herbívoros.
Ponto de vista da biologia: a picância vem de compostos produzidos pela planta, que desestimulam predadores. Ao remover essa característica por edição genética, o mecanismo natural de defesa é alterado ou perdido. Isso é a "descaracterização de mecanismos naturais de defesa contra predadores".
Ponto de vista da geografia: o acordo de licenciamento exclusivo entre uma startup e uma multinacional mostra que as sementes são propriedade (patente) de grandes empresas. Isso dificulta o acesso dos pequenos agricultores a sementes produzidas em laboratório, pelo custo, pelos royalties e pela dependência tecnológica. É um tema clássico da geografia agrária: a concentração do agronegócio.
As demais alternativas falham em pelo menos uma das partes:
- a parte geográfica ou a biológica não decorre dos transgênicos, ou é incoerente com o texto.
As duas partes da alternativa E combinam com o texto e com o conteúdo das duas disciplinas.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Aa evolução das espécies não é "validada" pelos transgênicos, e a edição genética dirigida não é seleção natural; o enunciado não trata disso.
- Bos transgênicos não reduzem, por si só, os impactos antrópicos sobre espaços naturais; o cultivo em larga escala tende a ampliá-los.
- Ca modernização do campo não é ineficaz por causa da mão de obra, e a mostarda é cultivada, não uma espécie nativa que se adapta a novos ambientes.
- Dtransgênicos de laboratório não incorporam saberes tradicionais, e não interrompem ciclos biogeoquímicos da vida vegetal.
Assunto: Revolução Verde e modernização do campo.
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Fonte: UNESP 2026 · Conhecimentos Gerais. Prova oficial ↗