PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 81 da UFPR 2024
De acordo com o texto A arte diante do mal radical, de Thierry de Duve, a decisão do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque de expor uma série de fotos de pessoas mantidas em campos de extermínio pelo regime de Pol Pot (líder do Khmer Vermelho cambojano entre 1975 e 1979 e responsável pelo massacre sistemático de milhares de civis durante esse período):
- Aexpõe como arte fotos que não são arte, já que desumanas, sendo a arte um patrimônio da humanidade.
- Bconvida o espectador a fazer um julgamento estético, levando-o a contemplar as fotos tendo a arte como referência.
- Cfaz justiça ao desejo do fotógrafo em ser reconhecido como artista, a despeito das condições em que exerceu sua arte.
- Djustifica atos imorais em nome da arte.
- Erevela que a decisão acerca do status de arte da fotografia compete exclusivamente aos curadores das exposições fotográficas.
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Resolução comentada
O texto de Thierry de Duve (A arte diante do mal radical) trata das fotos tiradas no centro de detenção de Tuol Sleng, no Camboja, e expostas no MoMA de Nova Iorque. O ponto central dele é que as fotos não foram feitas como arte: eram registros burocráticos de prisioneiros, tirados para o regime. Ao expô-las num museu de arte, o museu muda a forma como as olhamos.
O museu, então, não afirma que as fotos são arte nem as declara não arte. Ele coloca o espectador diante de uma pergunta: o que significa olhar para elas no espaço da arte? O espectador é levado a exercer o juízo estético, isto é, a contemplá-las tendo a arte como referência, e a se perguntar se esse olhar é possível ou adequado diante do mal radical.
Avaliando as alternativas:
- A afirma que as fotos "não são arte" por serem desumanas, o que não é a tese do texto.
- C atribui ao fotógrafo um desejo de ser reconhecido como artista, o que o texto não sustenta.
- D diz que a exposição justifica atos imorais, o que confunde exibir com justificar.
- E fala em competência exclusiva dos curadores, ideia ausente do argumento.
- B descreve o convite ao julgamento estético, que é o efeito da decisão do museu.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AAfirma que as fotos não são arte por serem desumanas, o que o texto não defende; o museu apenas as coloca no espaço da arte para provocar o juízo.
- CInventa um desejo do fotógrafo de ser artista; as fotos eram registros do regime, não obra com intenção artística.
- DConfunde expor com justificar; exibir as fotos não legitima os atos retratados.
- EAtribui aos curadores uma competência exclusiva sobre o status de arte, ideia que não aparece no argumento.
Assuntos: estética, filosofia da arte, mal radical.
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Fonte: UFPR 2024 · 1ª fase. Prova oficial ↗