PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 58 da UFPR 2022
A idade avançada e os problemas de saúde de uma empregada doméstica de 63 anos não a impediam de percorrer semanalmente 120 km de sua casa humilde em Miguel Pereira, no sul fluminense, até o apartamento onde trabalhava no Alto Leblon, bairro da zona sul do Rio que tem o metro quadrado mais valorizado do país...
(Disponível em: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/03/19/primeira-vitima-do-rj-era-domestica-e-pegou-coronavirus-da-patroa.htm?cmpid=copiaecola. Acesso em: 05/11/2021.)
A notícia do site UOL retrata a primeira morte registrada na pandemia do novo coronavírus no Brasil. Uma senhora de 63 anos contraiu o vírus de sua patroa que voltava da Itália para o Rio de Janeiro. O exemplo dessa fatalidade, com uma mulher negra e empregada doméstica, revela um processo mais amplo, que vai além da pandemia e simboliza um cenário marcado por:
- Ainjustiças sociais, em que determinados grupos sofrem desproporcionalmente as crises sanitárias, ambientais e econômicas.
- Buma injustiça ambiental, que não pode ser associada às dimensões de injustiça econômica ou racial.
- Cinjustiças socioambientais, em que a tragédia revela que apenas a população de baixa renda foi vítima, refém de uma fragilidade do sistema de saúde.
- Dum racismo estrutural, em que as políticas públicas conseguiram reverter os indicadores de desigualdade social.
- Eum racismo conjuntural, em que os reflexos sociais e sanitários da pandemia podem ser identificados.
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Resolução comentada
A questão pede o que o caso da doméstica simboliza: um processo mais amplo, que vai além da pandemia. Ou seja, o exemplo individual ilustra uma desigualdade que já existia e que aparece com força nas crises.
O que o texto mostra:
- Ela é mulher, negra, idosa, com problemas de saúde e de baixa renda.
- Mora longe do trabalho e faz 120 km por semana, o que revela precariedade de moradia e de transporte.
- Contraiu o vírus da patroa, que viajou à Itália, um privilégio de classe.
Portanto, o caso expressa injustiça social (e também racial e ambiental): grupos vulneráveis sofrem de forma desproporcional os efeitos de crises, sejam sanitárias, ambientais ou econômicas. Esse é o conceito de que a alternativa A trata.
Conferindo as demais: B nega a ligação entre as dimensões, o que contraria o texto. C usa "apenas" e generaliza, pois a patroa também foi infectada. D diz que as políticas reverteram a desigualdade, o que o caso contradiz. E fala em racismo conjuntural, mas a questão aponta um processo estrutural, que vai além do momento da pandemia.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Bafirma que a injustiça ambiental não se associa às dimensões econômica e racial, quando o caso mostra justamente essa articulação.
- Co "apenas" é incorreto: a patroa também foi infectada, e a vulnerabilidade não se reduz à falha do sistema de saúde.
- Ddiz que as políticas públicas reverteram a desigualdade, o que o caso contradiz.
- Etrata o racismo como conjuntural, ligado só à pandemia, enquanto o enunciado fala de processo mais amplo e estrutural.
Assuntos: injustiça social e ambiental, desigualdade e pandemia.
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Fonte: UFPR 2022 · Fase única. Prova oficial ↗