PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 57 da UFPR 2022
Entre a Primeira República e a Era Vargas, de 1889 e 1945, quando a intolerância religiosa era institucionalizada no Brasil por um Código Penal que definia como crime a ‘prática do espiritismo, da magia e seus sortilégios’, pelo menos 519 peças de religiões de matriz africana foram apreendidas pela Polícia em terreiros de candomblé e umbanda no Rio de Janeiro. Essa era uma época em que o samba e a capoeira também davam cadeia no Brasil.
(Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55018196. Acesso em: 05/11/2021.)
A notícia acima demonstra que nem os governantes nem a opinião pública tinham dimensão da ou interesse na pluralidade de religiões no país. Esse fato demonstra o desafio para convivência entre pessoas de diferentes crenças, cujo debate evidencia que:
- Aas noções de preconceito, discriminação e segregação são inseparáveis.
- Bo conhecimento religioso foi superado pelo conhecimento produzido pela ciência.
- Co Estado brasileiro mantém a laicidade como princípio legal desde a primeira Constituição.
- Da religião se resume ao sobrenatural ou ao incompreensível, e a ciência é a principal forma democrática de prática cidadã.
- Ea religião não pode ser identificada apenas com o monoteísmo e que, no Brasil, há historicamente uma diversificação das práticas religiosas.
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Resolução comentada
A notícia trata de repressão a religiões de matriz africana (candomblé e umbanda) entre 1889 e 1945. O Código Penal criminalizava o "espiritismo, a magia e seus sortilégios", e a polícia apreendia peças de culto nos terreiros. O enunciado conclui que governantes e opinião pública não reconheciam, ou não queriam reconhecer, a pluralidade religiosa do país. Vamos testar cada alternativa contra esse raciocínio.
- A: preconceito é uma atitude (opinião), discriminação é a prática e segregação é a separação institucional. São conceitos distintos, e o texto não diz que sejam inseparáveis.
- B: nada no texto fala de ciência superar o conhecimento religioso; o tema é perseguição.
- C: a primeira Constituição republicana (1891) separou Estado e Igreja, mas a primeira Constituição do país foi a de 1824, que tinha religião oficial (católica). Logo, "desde a primeira Constituição" é falso.
- D: reduz a religião ao sobrenatural e coloca a ciência como prática cidadã, ideia que o texto não traz.
- E: o texto mostra práticas religiosas de matriz africana, que não são monoteístas ocidentais e que sempre existiram no Brasil, apesar de reprimidas. Isso confirma a diversidade histórica das práticas religiosas, e é justamente o que o governo e a opinião pública ignoravam.
A alternativa E é a única coerente com o texto.
Alternativa E.
Pegadinha: A alternativa C engana por parecer histórica e plausível, mas a primeira Constituição (1824) previa religião oficial; a laicidade só vem com a de 1891.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Apreconceito, discriminação e segregação são conceitos distintos, e o texto não os trata como inseparáveis.
- Bo texto não trata de ciência superando a religião, e sim de perseguição a cultos.
- Ca Constituição de 1824 tinha religião oficial; a laicidade só veio em 1891.
- Dreduz a religião ao sobrenatural e atribui à ciência um papel que o texto não discute.
Assuntos: pluralidade religiosa, intolerância religiosa, religiões de matriz africana.
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Fonte: UFPR 2022 · Fase única. Prova oficial ↗