PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 21 da UFPR 2022
Considere o seguinte trecho de uma carta enviada pelo rei do Congo ao rei de Portugal em 1526:
Os comerciantes estão sequestrando o nosso povo dia após dia – filhos deste país, filhos de nossos nobres e vassalos, mesmo as pessoas de nossa própria família [...]. Essa corrupção e depravação estão tão generalizadas que a nossa terra é inteiramente despovoada. [...] Precisamos neste reino só de sacerdotes e professores, e nenhuma mercadoria, a menos que seja vinho e farinha para o santo sacramento [...]. É nosso desejo que este reino não seja um lugar para o comércio ou transporte de escravos.
(MEREDITH, Martin. O Destino da África: cinco mil anos de riquezas, ganância e desafios. Tradução Marlene Suano. Rio de Janeiro: Zahar, 2017, p. 122.)
Com base no texto acima e nos conhecimentos acerca dos contatos entre sociedades africanas e europeias no início da Idade Moderna, é correto afirmar que:
- Ao tráfico de pessoas escravizadas por parte de Portugal visava o despovoamento do Reino do Congo como estratégia para uma futura colonização.
- Ba cristianização do Reino do Congo se deu através da presença militar e da construção de feitorias portuguesas na costa africana.
- Co Reino do Congo buscava, através da diplomacia, estabelecer suas próprias leis para a regulação do tráfico de pessoas escravizadas.
- Das influências políticas e culturais de Portugal eram recebidas com hostilidade pelo Reino do Congo porque entravam em conflito com tradições locais.
- Eas tensões decorrentes do tráfico de pessoas escravizadas ocasionaram a Primeira Guerra Luso-Portuguesa.
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Resolução comentada
O trecho é da carta de Afonso I (Mvemba Nzinga), rei do Congo, a D. João III. O Congo se converteu ao cristianismo e manteve relações diplomáticas com Portugal desde o fim do século XV. O rei se apresenta como soberano católico, pede sacerdotes e professores e reclama dos comerciantes portugueses, que sequestravam até nobres e parentes dele.
O ponto central é o que o rei pede: não quer o fim das relações com Portugal, e sim o controle do que entra e sai do seu reino. Ele quer apenas vinho e farinha para a missa e deseja que o reino não seja "lugar para o comércio ou transporte de escravos". Ou seja, tenta por via diplomática, escrevendo ao monarca português, impor limites e regras ao tráfico em suas terras.
Conferindo as alternativas:
- Portugal buscava mão de obra, e não colonizar o Congo; o despovoamento era efeito do tráfico, não plano.
- A cristianização do Congo ocorreu por missionários e por conversão da própria elite local, não por ocupação militar.
- O rei adota a cultura portuguesa e a religião cristã, o que contradiz a ideia de hostilidade geral.
- Não existe "Guerra Luso-Portuguesa"; a expressão não faz sentido, pois Portugal é luso.
Assim, a carta mostra um rei africano usando a diplomacia para regular o tráfico.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AConfunde consequência com intenção: Portugal queria escravizados, não colonizar o Congo; o despovoamento foi efeito do tráfico.
- BA cristianização foi feita por missionários e pela adesão da elite congolesa, não por conquista militar.
- DO rei adotou o cristianismo e pedia padres e professores portugueses, então não havia hostilidade geral à influência lusa.
- EA 'Primeira Guerra Luso-Portuguesa' não existe, pois luso e português são o mesmo povo.
Assuntos: Reino do Congo, tráfico de escravizados, contatos África-Europa.
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Fonte: UFPR 2022 · Fase única. Prova oficial ↗