PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 64 da UFPR 2006
“O exército persa era bem visível. Mesmo assim, Alexandre avançou, em formação, com passo firme, evitando um avanço muito rápido que pudesse afetar a linha de ataque, deixando flancos em aberto. (...) Alexandre à frente de suas tropas, no flanco direito, correu, colocando toda a atenção na velocidade de ataque.”
“A cavalaria persa, diante dos tessálios de Alexandre, iniciada a batalha, decide atacar violentamente os tessálios. A cavalaria atacava com grande furor e os persas foram superados quando souberam que os mercenários gregos estavam sendo destroçados pela infantaria macedônica e que o próprio Dario estava em debandada. Este foi o sinal para a fuga generalizada e aberta. Os cavalos com equipamento pesado sofreram particularmente e os milhares de homens que fugiam em pânico, desordenados, buscando a fuga nas trilhas e nas elevações locais, morreram pela ação do inimigo (...).”
(ARRIANO, A Batalha de Íssus. 2, p. 10-11.)
Os trechos acima são dois momentos distintos da narrativa de Arriano sobre a Batalha de Íssus, em que Alexandre, o Grande venceu o general persa Dario em 333 a.C. A partir desses relatos de Arriano, é correto afirmar:
- AAs guerras na Antigüidade exigiam pouca participação pessoal dos comandantes nos combates travados, como se evidencia nos relatos de Arriano.
- BArriano desconhecia as estratégia e práticas de guerra da época de Alexandre, elaborando apenas uma ficção a respeito das batalhas.
- CNo texto de Arriano, há uma valorização da figura de Alexandre perante a de Dario, para reforçar as virtudes morais e militares do general macedônico.
- DEssa vitória sobre Dario teve pouca repercussão nas conquistas do jovem Alexandre.
- ENa Antigüidade, as guerras não desempenhavam papel significativo nas relações políticas.
Reportar erro na questão
Resolução comentada
A questão pede o que se pode concluir dos dois trechos de Arriano, historiador antigo que narrou as campanhas de Alexandre.
O que os trechos mostram:
- No primeiro, Alexandre avança "em formação, com passo firme", cuidando para não deixar flancos abertos. Depois corre "à frente de suas tropas", no flanco direito. Ele aparece como comandante prudente, disciplinado e corajoso, que lidera pessoalmente o ataque.
- No segundo, os persas atacam com furor, mas são superados. Os mercenários gregos são destroçados pela infantaria macedônica e "o próprio Dario estava em debandada". Dario aparece fugindo, e seu exército se desfaz em pânico.
O contraste é claro: de um lado, Alexandre firme e estratégico, na linha de frente. De outro, Dario em fuga e tropas desordenadas. Isso é uma valorização do macedônio em relação ao rei persa, que exalta suas qualidades militares (estratégia, velocidade, coragem) e morais (liderança pelo exemplo). Esse tipo de narrativa era comum na historiografia antiga, que exaltava o herói.
Conferindo as demais alternativas: o texto mostra Alexandre combatendo pessoalmente, o que contradiz a (A). Arriano descreve táticas concretas (formação, flancos, cavalaria, infantaria), o que não é ficção desinformada, portanto (B) está errada. Íssus abriu caminho para a conquista do Império Persa, o que desmente a (D). As guerras eram centrais na política antiga, o que desmente a (E).
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO texto mostra Alexandre à frente das tropas, correndo no flanco direito, ou seja, com participação pessoal intensa.
- BArriano descreve formação, flancos, cavalaria e infantaria, o que mostra conhecimento das práticas de guerra; nada indica ficção desinformada.
- DA vitória em Íssus foi decisiva para a conquista do Império Persa, e não de pouca repercussão.
- ENa Antiguidade as guerras eram centrais nas relações políticas, na expansão e no poder dos Estados.
Assuntos: Historiografia, fontes e tempo histórico, Grécia Antiga: pólis, guerras e helenismo.
Reportar erro na resolução
Ver como caiu na prova
Fonte: UFPR 2006 · 1ª fase. Prova oficial ↗