PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 60 (1º exame) da UERJ 2027
A capa de Secos & Molhados (1973), reproduzida abaixo, foi idealizada pelo fotógrafo Antônio Carlos Rodrigues, que montou uma mesa de jantar com produtos típicos de armazém, como linguiças, cebolas e vinho barato, simbolizando o nome da banda. As cabeças dos integrantes – Ney Matogrosso, João Ricardo, Gérson Conrad e Marcelo Frias – foram colocadas em bandejas, como uma cena para “deleite gastronômico”. A icônica imagem foi produzida durante uma madrugada inteira, com os integrantes sentados sobre tijolos.
Em 2001, a capa foi eleita pela Folha de S. Paulo como a melhor da história da música popular brasileira, sendo esse disco de estreia revolucionário tanto pelo visual quanto pela sonoridade. Misturando MPB, rock e performance teatral, o álbum marcou o início de uma nova era na música brasileira. Sucessos como “Sangue latino” e “O vira” fizeram o grupo se destacar e ganhar notoriedade nacional rapidamente.
Adaptado de g1.globo.com, 04/03/2026.

O VIRA
O gato preto cruzou a estrada
Passou por debaixo da escada
E lá no fundo azul, na noite da floresta
A Lua iluminou a dança, a roda, a festa
Vira, vira, vira
Vira, vira, vira homem, vira, vira
Vira, vira, lobisomen
Vira, vira, vira
Vira, vira, vira homem, vira, vira
(...)
JOÃO RICARDO C. T. PINTO E HELOISA O. B. DA FONSECA
letras.mus.br
No contexto histórico de sua divulgação, a obra dos Secos & Molhados representou uma crítica a características então vigentes na sociedade brasileira.
Duas das características criticadas foram:
- Axenofobia e polícia política
- Bmachismo e censura estatal
- Ccarestia e propaganda oficial
- Dsubversão e espionagem governamental
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Resolução comentada
O álbum é de 1973, auge da ditadura militar (governo Médici, "anos de chumbo"). Nesse período, o regime impunha censura prévia às artes e à imprensa e defendia um padrão conservador de comportamento.
O que a obra mostra:
- Visual: os integrantes aparecem maquiados, com cabeças "servidas" em bandejas, num deboche da ordem estabelecida. Ney Matogrosso, com performance andrógina, desafiava os padrões rígidos de masculinidade e de gênero da época.
- Letra de "O vira": o refrão "vira homem, vira lobisomem" brinca com a transformação, a ambiguidade e a quebra de identidades fixas. Isso confronta o machismo, a ideia de que o homem tem de seguir um modelo único de virilidade.
- Contexto político: a ousadia estética e a linguagem alegórica eram uma forma de driblar e criticar a censura estatal, que vigiava a produção cultural.
As duas características criticadas, portanto, são o machismo (padrão de masculinidade) e a censura estatal (controle da expressão artística).
Conferindo as demais: xenofobia, carestia e espionagem até aparecem no período, mas não são o foco da capa nem da letra.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ANada na capa ou na letra trata de xenofobia; só a polícia política seria plausível no período.
- CA capa tem alimentos simples, mas não faz crítica à carestia; e a propaganda oficial não é alvo da obra.
- DSubversão era o que o regime atribuía aos opositores, não uma característica criticada pela obra.
Assuntos: Cultura e resistência na ditadura, Ditadura militar: atos institucionais e repressão.
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Fonte: UERJ 2027 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗