Questão 1 (2º exame) da UERJ 2027

2º exame · Interdisciplinar

Texto-base das questões 01 a 08 · 2º Exame de Qualificação

OS SERES HUMANOS PODEM TER ATÉ 33 SENTIDOS

Presos em frente às telas o dia todo, muitas vezes ignoramos nossos sentidos além da audição e da visão. E, no entanto, eles estão sempre em ação. Quando estamos mais alertas, sentimos as superfícies ásperas e lisas dos objetos, a rigidez nos ombros, a maciez do pão. Pela manhã, podemos sentir o formigamento da pasta de dente, ouvir e sentir a água corrente no chuveiro, o cheiro do xampu e, mais tarde, o aroma do café fresco.

Aristóteles nos disse que existiam cinco sentidos. Mas ele também nos disse que o mundo era composto por cinco elementos, e já não acreditamos nisso. E pesquisas modernas mostram que podemos, na verdade, ter dezenas de sentidos. Quase toda a nossa experiência é multissensorial. Não vemos, ouvimos, cheiramos e tocamos em partes separadas. Elas ocorrem simultaneamente em uma experiência unificada do mundo ao nosso redor e de nós mesmos.

O que sentimos afeta o que vemos e o que vemos afeta o que ouvimos. Diferentes aromas no xampu podem afetar a forma como percebemos a textura do cabelo. O aroma de rosas, por exemplo, faz com que o cabelo pareça mais sedoso. Os aromas em iogurtes com baixo teor de gordura podem torná-los mais ricos e espessos no paladar sem a necessidade de adicionar mais emulsificantes. A percepção dos odores na boca, que sobem até as vias nasais, é modificada pela viscosidade dos líquidos que consumimos.

Neurocientistas acreditam que existam entre 22 e 33 sentidos. Entre eles, está a propriocepção, que nos permite saber onde estão nossos membros sem precisar olhar para eles. Nosso senso de equilíbrio depende do sistema vestibular dos canais auditivos, bem como da visão e da propriocepção. Outro exemplo é a interocepção, pela qual percebemos mudanças em nossos próprios corpos, como um leve aumento da frequência cardíaca e a fome.

Alguns dos sentidos tradicionais são combinações de vários sentidos. O tato, por exemplo, envolve dor, temperatura, coceira e sensações táteis. Quando provamos algo, na verdade estamos experimentando uma combinação de três sentidos: tato, olfato e paladar (ou gustação), que se combinam para produzir os sabores que percebemos nos alimentos e bebidas. A gustação engloba as sensações produzidas pelos receptores na língua, que nos permitem detectar salgado, doce, azedo, amargo e umami (saboroso).

E quanto à menta, manga, melão, morango, framboesa? Não temos receptores de framboesa na língua, nem o sabor da framboesa é uma combinação de doce, azedo e amargo. Não existe uma aritmética gustativa para os sabores das frutas. Nós os percebemos através da ação conjunta da língua e do nariz. É o olfato que contribui com a maior parte do que chamamos de paladar. Ao mastigar ou beber algo, os compostos odoríferos são liberados, viajando da boca para o nariz através da nasofaringe, na parte posterior da garganta.

O tato também desempenha um papel importante, conectando sabores e cheiros e definindo nossas preferências por ovos com gema mole ou firme, e pela textura aveludada e cremosa do chocolate.

A visão é influenciada pelo nosso sistema vestibular. Quando você estiver a bordo de uma aeronave no solo, olhe para baixo, para a cabine. Olhe novamente quando estiver subindo. Você terá a impressão de que a parte dianteira da cabine está mais alta do que você, embora, opticamente, tudo esteja na mesma proporção que estava no solo. O que você “vê” é o efeito combinado da visão e dos seus canais auditivos, que lhe dizem que você está se inclinando para trás.

Sempre há muitas coisas ao seu redor que mostram o quão complexos são seus sentidos; basta parar por um momento para absorver tudo. Então, da próxima vez que você sair para caminhar ou saborear uma refeição, reserve um momento para apreciar como seus sentidos trabalham juntos para ajudá-lo a sentir todas as sensações envolvidas.

BARRY SMITH
Adaptado de oglobo.globo.com, 24/12/2025.

Quando estamos mais alertas, sentimos as superfícies ásperas e lisas dos objetos, a rigidez nos ombros, a maciez do pão. (\ell. 2-3)

O conectivo temporal quando é empregado quatro vezes ao longo do texto: no primeiro, quinto e oitavo parágrafos.

Em todos os casos, esse emprego está relacionado com a seguinte função argumentativa:

  1. A
    comparação
  2. B
    modalização
  3. C
    generalização
  4. D
    exemplificação
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Fonte: UERJ 2027 · 2º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗