Questão 56 (1º exame) da UERJ 2027

1º exame · Ciências Humanas

Reportagem

BRASILEIRO TRABALHA MENOS QUE A MÉDIA MUNDIAL

Em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Nem pode ser considerado particularmente esforçado. Veja os rankings a seguir:

HORAS TRABALHADAS SEMANAIS

POSIÇÃO PAÍS HORAS
1a Butão 56,1
2a Sudão 50,8
3a Emirados Árabes Unidos 49,4
20a Jamaica 43,4
37a República Dominicana 40,1
38a Brasil 40,1
39a Filipinas 39,9
47a Estados Unidos 38,6
51a Argentina 37,3
57a Japão 35,5
66a Itália 34,1
78a França 31,0
84a Dinamarca 29,5
85a Noruega 27,8
86a Holanda 27,6
87a Moldávia 23,0

Adaptado de folha.uol.com.br, 21/02/2026.

Artigo de opinião

O BRASILEIRO É PREGUIÇOSO?

Para o estudo que fundamenta a reportagem publicada na Folha de S. Paulo, em 21/02/2026, o que explicaria o “desvio brasileiro” por menos trabalho seria, nota-se, uma “questão cultural”, isto é, “uma preferência por mais quantidade de lazer”. Da literatura à colonização, o mito da preguiça do brasileiro foi historicamente cunhado para justificar a exploração do trabalho alheio ou dela zombar. Massacrados, povos indígenas foram gradualmente substituídos no Brasil por africanos e seus descendentes não por uma inaptidão daqueles ao trabalho escravo, mas por ser mais conveniente controlar africanos traficados ao Brasil do que povos originários.

Nas entrelinhas da objetividade econométrica, encontra-se escondido o reavivamento acrítico do mito colonial da preguiça em pleno século XXI. Deixo aos economistas e técnicos a crítica aos números: brasileiro trabalha mais do que países desenvolvidos europeus, mais do que os E.U.A., mais do que o esperado contando determinantes institucionais. E a pesquisa ignora tempo de deslocamento, que, em São Paulo, chega a mais de duas horas.

Quando deixamos os números falarem sem contexto, o que nos resta é o mito, não a verdade.

THIAGO AMPARO
Adaptado de folha.uol.com.br, 26/02/2026.

O ranking retirado da reportagem despertou críticas e reações, como a de Thiago Amparo, no artigo de opinião, que chamou a atenção para duas narrativas recorrentes na história brasileira.

Essas narrativas são:

  1. A
    negação da ciência e fanatismo religioso
  2. B
    orgulho da ignorância e baixa escolaridade
  3. C
    normalização da violência e passividade política
  4. D
    naturalização do preconceito e desqualificação elitista
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Fonte: UERJ 2027 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗