Questão 20 (1º exame) da UERJ 2027
Os atos eram monstruosos, mas o agente – ao menos aquele que estava agora em julgamento – era bastante comum, banal, e não demoníaco ou monstruoso, e a única característica notória que se podia perceber tanto em seu comportamento anterior quanto durante o próprio julgamento e o sumário de culpa que o antecedeu era algo de inteiramente negativo: não era estupidez, mas irreflexão.
HANNAH ARENDT (1906-1975)
Adaptado de Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
“Se eu não fizesse tudo isso, eu seria sabe o quê? Punido. (...) Era para dizer que tinha havido uma troca de tiros... uma tentativa de sequestro, uma coisa assim. Eu nunca vi o Rubens Paiva, eu nem sabia que ele estava lá. Eu só vim a saber depois porque eu tinha que fazer o registro no meu mapa da missão e eu: ‘Quem era o cara?’ — E me deram o nome dele. Então é isso aí.” (p. 278)
Hannah Arendt reflete sobre a natureza do mal ao acompanhar o julgamento do agente nazista Adolf Eichmann. O conceito de banalidade do mal, proposto por essa filósofa, pode ser associado ao depoimento citado, de um dos denunciados no caso Rubens Paiva, pela justificativa que apresenta para os crimes que cometeu.
Essa justificativa pode ser sintetizada como:
- Aações recorrentes na justiça
- Bmero cumprimento de ordens
- Crecurso rotineiro para avaliação funcional
- Dpráticas necessárias à investigação policial
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Fonte: UERJ 2027 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗