PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 13 (1º exame) da UERJ 2015

1º exame · Linguagens · Literatura: Linguagem literária e figuras de linguagem

Texto-base das questões 13 a 16 · 1º Exame de Qualificação

CANÇÃO DO VER

Fomos rever o poste. O mesmo poste de quando a gente brincava de pique e de esconder. Agora ele estava tão verdinho! O corpo recoberto de limo e borboletas. Eu quis filmar o abandono do poste. O seu estar parado. O seu não ter voz. O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com as mãos. Penso que a natureza o adotara em árvore. Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos1 de passarinhos que um dia teriam cantado entre as suas folhas. Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos. Mas o mato era mudo. Agora o poste se inclina para o chão – como alguém que procurasse o chão para repouso. Tivemos saudades de nós.

Manoel de Barros
Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.

1 arrulos – canto ou gemido de rolas e pombas

No poema, o poste é associado à própria vida do eu poético.

Nessa associação, a imagem do poste se constrói pelo seguinte recurso da linguagem:

  1. A
    anáfora
  2. B
    metáfora
  3. C
    sinonímia
  4. D
    hipérbole
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Resolução comentada

A questão pede o recurso de linguagem que permite associar o poste à vida do eu poético, ou seja, tratar uma coisa como se fosse outra.

  1. No poema, o poste não é só um objeto: é o mesmo poste das brincadeiras de infância ("pique e de esconder"). Ele guarda a memória do passado do eu poético.

  2. O poste recebe características humanas e vegetais: está "verdinho", "recoberto de limo e borboletas", "adotado em árvore", "se inclina para o chão como alguém que procurasse repouso". Ele aparece como alguém que envelhece e descansa.

  3. No fim, o verso "Tivemos saudades de nós" mostra que a saudade do poste é saudade de si mesmo. O poste simboliza a infância e o tempo vivido.

  4. Chamar uma coisa de outra, ou transferir a ela o sentido de outra por semelhança, é a metáfora: o poste abandonado, parado, envelhecido e coberto de natureza representa a vida do eu poético que passou.

Os outros recursos não explicam essa construção. Não há repetição de termo no início de versos como recurso central (anáfora), nem troca de palavras de mesmo sentido (sinonímia), nem exagero expressivo (hipérbole).

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AAnáfora é a repetição de palavra no início de versos; o poema repete "O seu", mas isso não cria a associação entre poste e vida.
  • CSinonímia é a relação entre palavras de sentido semelhante, e não a transferência de sentido do poste para a vida do eu poético.
  • DHipérbole é exagero; o poema não amplia a realidade, e sim a ressignifica pela comparação implícita.

Assunto: Linguagem literária e figuras de linguagem.

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Ver como caiu na prova Questão 13 no caderno 1º Exame de Qualificação da UERJ 2015

Fonte: UERJ 2015 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗